"Emmanuel e Alice, logo perceberam o grande amor que Gérbera, a tia, nutria por eles!
Havia uma identificação total entre a tia e as duas adoráveis crianças. Era um amor incondicional, pleno e recíproco. Recíproco sim, Gérbera percebia esse sentimento através dos olhinhos deles, nas menores atitudes e no grande agarramento que eles tinham com ela. Com Gérbera, mesmo na ausência da mãe, eles se sentiam seguros. Isso a deixa radiante. E amor é assim é assim: quando mais você oferece, mais você recebe! Quanto mais você recebe, mais você oferece! É uma verdadeira "bola de neve". É gratificante para quem possui este tipo de amor...
Gérbera não media esforços para agradá-los. Procurava sempre estar presente em seus momentos especiais, testemunhando a alegria dos dois. Por sua vez, eles também sempre presentes na vida de Gérbera. Apesar de madrinha de Emmanuel, não fazia distinção entre o afilhado e a sobrinha querida.
Gérbera trabalhava em Belo Horizonte e eles no Estado do Rio. Encontravam-se com certa frequência na casa do Vô Rocha, no interior de Minas. Algumas vezes em Belo Horizonte, outras vezes no Rio. Gérbera morava em um apartamento alugado, mas os acolhia com todo aconchego.
Alice com seus três anos ouviu uma conversa de Abelardo e Ingrid. Eles iam comprar um apartamento para Dona Emerenciana, mãe de Abelardo, vó das crianças. A menina muito viva, ingenuamente disse ao pai: - Pai, compra um apartamento para a tia Ge também!!
Emmanuel é afilhado de batismo de Gérbera. Alice afilhada de batismo de dona Dilza, amiga de Ingrid, que muito a ajudou quando quase perdeu Alice, aos dois meses de gravidez. Dona Dilza é uma senhora muito bondosa, bem mais velha que Ingrid. Ingrid têm muitas amigas mais velhas que ela, talvez seja por ter perdido a mãe com apenas 17 anos. Busca nas amigas com idade mais avançada, a figura da mãe que partiu muito cedo. Dona Dilza gostava imensamente de Ingrid e Alice e fazia-lhes muitos mimos. Quando eles foram para o Estado do Rio, a distância os afastou um pouco.
Alice carente de madrinha sentia muita falta e ficava com ciúmes da madrinha de Emmanuel. A situação se agravava quando Emmanuel, percebendo sua fragilidade, começava a elogiar a sua madrinha, com a nítida intenção de aborrecê-la dizia: - Sua madrinha é muito velha!! A minha é bonita!! Ela ainda usa biquíni!!
O martírio da menina era aparente. A falta da madrinha lhe fazia mal...foi ai que Gérbera tornou-se madrinha de Alice também...Não foi madrinha de batismo, nem de consagração, nem de representação: foi madrinha de "adoração". Assim estava criada uma nova modalidade de madrinha. Madrinha de adoração!"
Autora: Maria Consuelo
Colaboradora: Luciana
(Emmanuel: meu único irmão Alexandre, Gérbera: minha tia Con, Ingrid: minha amada mãe, Abelardo: meu querido pai, Alice: eu)
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As vezes, me pergunto: - Por que a nossa relação mudou tanto? Quanta coisa aconteceu...
Se eu pudesse faria com que tudo voltasse "ao normal". Que o amor fosse incondicional e pleno novamente, mas....