terça-feira, 30 de setembro de 2008

TUDO TEM SEU LUGAR



TUDO TEM SEU LUGAR

Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra. 
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos. 
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu. 
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde. 
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu. 

Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas. 
Procure, sempre o fim de uma história, seja ela qual for. 
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam. 
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca. 
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os. 
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura. 
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão! 
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. 
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. 

Se achar que precisa voltar, volte! 
Se perceber que precisa seguir, siga! 
Se estiver tudo errado, comece novamente. 
Se estiver tudo certo, continue. 
Se sentir saudades, mate-a. 
Se perder um amor, não se perca! 
Se achá-lo, segure-o! 

[ Fernando Pessoa ] 

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A vida continua...

...sem grandes novidades.
Aula todos os dias e muito estudo. 
Estou lendo três livros. Sempre tive mania de ler vários livros ao mesmo tempo. Agora não é porque quero, mas porque preciso. Dois em sueco e outro em português. Estou lendo "Hon hette Agnes" e "På god väg". Muito bom para expandir meu vocabulário; mas, as vezes, confesso, é um saco e tenho vontade de desistir. 
Sou teimosa, não desisto fácil das coisas. Essa teimosia pode até ser um problema, mas agora virou qualidade. Quando eu quero, não desisto fácil e luto até conseguir. Com o sueco não será diferente...se Deus quiser.

Além do estudo, estou ajudando um casal de amigos. Eles estão importando roupa de alpaca da Bolívia e eu estou fazendo a página para a internet. Nunca havia feito isso antes. Erik me ensinou algumas coisas e o resto estou tentando sozinha. Já fiz a apresentação da pagina e agora estou trabalhando com as milhares de fotos das roupas e acessórios. Estou diminuido de tamanho e fazendo algumas montagens. Para isso estou usando o GIMP e o Inkscape. Tem sido muito prazeiroso essa atividade.

Tenho encontrado com os amigos e treinado muito sueco. Estou, inclusive, ajudando minha amiga chilena com o sueco. Não que eu saiba mais que ela, mas tenho muita facilidade com a gramatica. Algumas aulas particulares também fazem parte do meu dia a dia. Engraçado...durante toda a minha vida estudantil eu dei aula particular para alguma colega de sala. Já dei aula particular de matematica, fisica, quimica e de direito processual civil. Minha mãe sempre fala que sou muito didatica. No fundo eu também acho isso, mas nunca me permitir pensar assim...ai...eu tenho a pessima mania de menosprezar tudo que faço, sou muito auto critica e dura comigo mesmo...mas acho qe isso é assunto para outro post, por enquanto vou ficando por aqui...


"Hon hette Agnes"
Elisabeth Lindfors 

1941 lämnar Agnes sitt föräldrahem och sin läroplats på damfriseringen i Luleå för att gifta sig med Knut. Knut som gör karriär i kooperationen. Agnes följer med, flyttar runt, föder barn, sköter markservicen, håller middagar, klär sig passande och inreder allt större hem. Men vem är hon själv, och vad är hon egentligen bra på?
"Hon hette Agnes" är berättelsen om ett liv, en livsskildring som symptomatiskt nog börjar med giftermålet. Med romanen skriver Elisabeth Lindfors en personskildring, men också en de svenska kvinnornas historia, hustrur och mödrar som växte upp med ett husmodersideal som under deras livstid skulle komma att både ifrågasättas och i det närmaste dö ut. Idealet att på heltid vara den som håller ställningarna, privatsfärens trygga vrå och klippa.
Det är bara det att Agnes inte är särskilt trygg.
Kvinnor är ofria genom sitt ekonomiska beroende av män, det uppmärksammade kvinnorörelsen några decennier efter Agnes bröllop. Och det ekonomiska beroendet finns där, men framför allt handlar det om det känslomässiga beroendet, om behovet av bekräftelse. Agnes är så vacklande och mörkret inombords så stort och hemskt. Hon är kvinnan bakom mannen, som aldrig riktigt känner att hon räcker till och som först sent i livet får en chans att göra det hon innerst inne längtar efter.
Till skillnad från exempelvis Elsie Johanssons Nancy, en generationskamrat, har Agnes inget läshuvud, inga stora artikulerade drömmar som ger henne kraft att övervinna varje hinder. Den klassresa hon gör går i kölvattnet på maken. Det betyder inte att det inte är en kamp, desto mer så som hon själv inte kan styra. Vare sig hon trivs eller vantrivs är det bara att packa ihop och fara vidare när nästa kliv på hans karriärstege kräver det.
Det är också en berättelse om Sverige, om folkhemmet i uppbyggnad och nedbrytning. Knut ägnar sitt yrkesliv åt kooperationen, folkrörelsen som växer fram, måste rationaliseras och som efter hans pension överlämnas till en adlig "företagsdoktor". Samhället glider honom ur händerna. (Är det en generationsupplevelse eller ett samhällsfenomen?)
"Hon hette Agnes" är en berättelse som med sin lågmäldhet verkar så enkel, men vid närmare skärskådning är enormt genomtänkt. Inte minst gäller det författarens användning av pågående form och retrospektiv. Det som händer Agnes är omedelbart. Samtidigt har berättaren en distans. Hon ser mönster, de socialhistoriska sammanhangen, utan att för den skull bli kall och kritisk.
Lindfors är en erfaren debutant med järnkoll på sin berättelse, befriad från sentimentalitet och besserwissermentalitet, men med stor ömhet. Det är inte synd om Agnes, det är bara så här det är.
Det här känns nästan mer som en person än en bok. Det är helt enkelt ett liv, på gott och ont. Födelse och död och vardag. Mörkret inombords, svartsjukan som griper tag, suger in, de skrämmande känslorna inför den nyfödda dottern – innan någon kommit på etiketten förlossningspsykos – den löjligt vacklande självkänslan som inför makens oförstående blick får henne att överge måleriet, och till slut den hemska och befriande demensen. Agnes är en historisk realitet, hon skulle kunna vara min mormor eller den lilla tanten på bussen. Hon är vem som helst, och samtidigt just precis sig själv.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

domingo, 14 de setembro de 2008

Söderköping

Quinta feira o Carl (tio do Erik) me ligou avisando e convidando para irmos em um feira medieval em Söderköping.
Ontem nós (eu, Erik, Vivian e David) fomos para Söderköping.
Muito legal!! Me senti na idade média!! Muita gente vestida com roupas típicas, inclusive moradores da cidade. Cada "projeto de gente" mais fofo que outro caracterizado como naquela época!!


Foi montado uma arena para a realização de um torneio (Tornerspel, Lord Severin Unicorn med stort riddarsällskap) entre cavalheiros e diversas provas foram realizadas, como por exemplo: acertar a maça do cavalo com um machado e pegar argola com a lança. Nós assistimos esse torneio. No final o cavalheiro mais aplaudido ficava com a princesa. Foi muito legal!!
Depois do torneio, fomos tomar um café. Eu comi um sanduiche de cogumelo muito gostoso. 
Como estava muito frio, acabamos desistindo. Fomos para a casa do Carl e da Irene e lá ficamos até as 20.00. O Carl cozinhou para nós e como sempre comida divina. Fez um salmão com molho de caviar. Conversamos bastante e em diversas línguas, português, sueco e inglês. Eu acho fantástico essa mistura de idioma.
Depois a Irene nos trouxe aqui em Norrköping e nós (eu e Erik) terminamos o dia assistindo um filme bem quentinhos aqui em casa!!








quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Origens diferentes...histórias diferentes

Como qualquer outra imigrante, convivo com as mais diferentes culturas e isso me encanta profundamente, além da curiosidade natural de uma quase antropóloga...rsrsrs (antes de Direito, fiz Ciências Sociais). 
As vezes, quando a aula está chata, fico olhando aqueles rostos e imaginando como foi o caminho de cada um até chegar aqui...sei que muitos encontraram guerra e perseguição durante a caminhada. 
Fico só imaginando, porque nunca pergunto nada, apenas escuto (muito interessada) quando falam alguma coisa. Não quero ser indelicada, afinal a possibilidade de terem histórias tristes é grande. 
No meu curso antigo, fiquei sabendo de coisas muito complicadas...o filho de uma que não pode ver pessoa fardada que começa a chorar, o pai de outro que ficou cego de um olho por causa de um estilhaço de bomba...
Uma vez falei aqui sobre uma colega de classe do Afeganistão que me despertava ainda mais interesse.
Hoje, na hora do intervalo do almoço, tivemos a companhia de uma colega da Rússia. A conversa começou ingênua. com perguntas do tipo: Em que cidade você morava? Qual cidade é mais bonita Moscou ou São Petersburgo? Qual sua obra predileta de Dostoiévski?
Assim a conversa transcorreu até um determinado momento, mas logo falamos de Lenin e Stalin e até a recente operação militar russa na Geórgia foi um pulo. 
Pronto...começamos a falar sobre politica e como os árabes são maioria no nosso grupo, lógico que discutimos a questão do oriente médio. Com nosso sueco módico, não falamos com muita profundidade. 
Quando eu falei que tinha muito interesse em conversar e saber mais sobre a realidade, na visão deles, algumas histórias de vida começaram a aparecer. Tudo muito discreto, afinal olhos marejados, lágrimas e lembranças tristes faz com que tenhamos redobrado cuidado.


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Cozinha fácil

Semana passada comprei um kit para fazer torta de amora e framboesa. Fiz sábado, depois que voltei do almoço na casa da minha amiga chilena. É bem simples: duas partes, uma de massa e outra de fruta. Basta colocar a  parte de fruta por baixo, depois a massa e levar ao forno por 25 minutos. Muito fácil e gostosa!! Ideal para comer com sorvete de baunilha. Marido adorou e eu também.







Ontem marido foi na casa de um amigo, que é nosso vizinho também. Quando voltou trouxe esse vazinho de planta que o amigo mandou para mim. Achei tão fofo esse carinho. Simples e lindinho!!




domingo, 7 de setembro de 2008

Independência do Brasil

Denomina-se Independência do Brasil ao processo que culminou com a emancipação política do reino de Portugal, no início do século XIX. Oficialmente, a data adotada é 7 de setembro de 1822, quando ocorreu o episódio do chamado "Grito do Ipiranga". Segundo a história oficial, às margens do riacho Ipiranga (atual cidade de São Paulo), o Príncipe Regente D. Pedro, bradou perante a sua comitiva: "Independência ou Morte!". Nesse instante nascia o nosso amado BRASIL!!





Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Gonçalves Dias

Só quem já ficou muito tempo longe da patria entende realmente e se emociona com esse poema de Gonçalves Dias. Parece que a saudade hoje está maior!!!

sábado, 6 de setembro de 2008

Enquanto não chega a hora...

Estou aqui atoa, esperando a hora de ir almoçar na casa de uma amiga muito querida e enquanto isso fiz mais um scrap digital.
Em junho perdi tudo que tinha no meu mac, inclusive os meus kits para scrap, aos poucos estou fazendo um novo estoque. As vezes, fico brava, pois não encontro alguma coisa que gostava muito, mas paciência....

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Águas de Março

Hoje a Maria veio aqui em casa...rsrsrsrs... Fiz a limpeza completa, só ficou faltando lavar roupa. Aproveitei e me arrumei um pouquinho também: depilação, unha e cabelo. 

Estudar sueco tem sido muito agradável e eu que pensei que isso nuca fosse acontecer!
Estou lendo um livro em sueco e fazendo um resumo. Interessante... talvez porque gosto de fazer isso em português.

Os dias têm sido assim: estudo, um enorme vazio no peito e uma sensação de não pertencer a nada e nem a lugar nenhum. Estou com medinho, mas tenho fé em Deus que isso vai passar.

As injeções continuam (até Novembro, diga de passagem). Acho que não vou acostumar nunca. Todo dia é aquele sofrimento, pode até parecer drama e exagero meu, mas choro quase todos os dias de dor. Talvez até minha mãe e pai venham me aplicar algumas... rsrsrsrsrs... quem sabe?
Eu ia gostar muito, a dor seria aliviada com o carinho e amor deles. 

Outro dia minha cunhada disse que parece que eu não cortei o cordão umbilical. Será? Eu, particularmente, acho que cortei sim. Se não tivesse cortado, provavelmente não teria mudado de pais. Realmente, as vezes, pode parecer que não cortei, mas que mal há em sentir saudades, querer estar junto e querer os sábios conselhos daqueles que me amam mais que tudo e são meu porto seguro? Além de tudo, eles são meus melhores amigos! 

Hoje voltei da aula cantando "As Águas de Março". Aqui, no caso, são as águas de Agosto fechando o verão...



Águas De Março
(Tom Jobim)



É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma ponta é um ponto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração