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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Grandão

Ontem na fila do restaurante tinha duas mulheres. 
Uma mais nova com o filho e outra mais madura. 
As duas conversaram e depois a mais nova diz para o filho: 
- Advinha o nome do neto dela?? Ela tem um neto com o seu nome. Ela também tem um Alexandre.
O filho para, pensa e pergunta: - Ele é grandão igual a mim?
Impossível não lembrar de você, meu irmão querido. Você também era grandão e um primo nosso menor te chamava assim...

domingo, 5 de maio de 2013

Dia Especial

Hoje não é um dia comum. Hoje é dia do aniversário do meu irmão Alexandre que partiu faz dois anos.  Hoje, se ele estivesse aqui conosco, iria completar 40 anos.
Sinto muita saudade, mas sei que está festejando a data em um lugar maravilhoso e acompanhado de seres amados que também já partiram.
Como um amigo escreveu para mim hoje, claro que sentimos a falta dele e até choramos de saudades, mas também nos alegramos com as lembranças do nosso convívio maravilhoso.


Alexandre, 
Que Jesus seja sempre a sua luz e seu Condutor na 
viagem de encontro ao Deus Pai Todo-Poderoso.
Te amamos muito!!!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Sentimentos

Amanhã faz dois anos que meu irmão partiu. Ainda doe muito, talvez nunca melhore. 
A saudade aumenta a cada dia e vários questionamentos fazem a dor ser ainda maior.
Olho para o Mattias e sofro de pensar que o Alexandre nunca irá conhecer o sobrinho que ele tanto desejou...talvez, ou melhor, tenho certeza, que ele conhece. Mas sou egoísta e queria que ele conhecesse como todo tio conhece o sobrinho. 
Queria muito uma foto dos dois juntos!!! 
Queria que meu irmão estivesse aqui para ensinar para o Mattias um monte de coisa errada. Ele sempre falava que iria dar um monte de bala quase na hora do almoço, que iria ensinar falar palavrão, sinal feio...falava isso para me irritar...eu queria tanto que ele me irritasse assim...
As vezes, tenho raiva...afinal ele me deixou sozinha. Ser filha única é ruim demais. 
Penso no futuro e tenho muito medo...medo de ficar sozinha e não ter ninguém para relembrar de coisas que só eu, ele e meus pais fomos testemunhas...
Outras vezes e muitas vezes mesmo, tenho culpa. 
Culpa por estar aqui desfrutando da companhia dos meus pais e ele não. 
Culpa porque, as vezes, mesmo como essa dor pela ausência dele, sou feliz. Como ser feliz se ele não está aqui?
Culpa porque, as vezes, quando minha mãe está triste e chora, eu digo para ela não pensar nele, afinal a ferida ainda não foi cicatrizada e é melhor ligar o automático e simplesmente viver.
Culpa porque eu dei a idéia para minha mãe tirar, por enquanto, todas as fotos dele dos porta retratos e painéis da nossa casa. Dei a idéia para tirar todas as fotos, as minhas, as dele e as dos meus pais. Tirar só as dele seria traição demais!!!
Culpa porque eu deveria ter tido mais paciência com ele.
Culpa porque eu deveria ter dito mais vezes o tanto que eu o amava.
Culpa porque eu não escutei o que ele dizia e ele dizia muita coisa certa. 
Culpa porque só percebi que ele falava um monte de coisa certa depois que ele partiu.
Culpa
Culpa
Dor
Dor

Eu sei que a culpa é paralisante e que não posso deixar que a dor se transforme em sofrimento...mas o que fazer com essa culpa e essa dor ???

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

"Um Toque na Estrela", Benoîte Groult.

Ontem acabei de ler o livro "Um Toque na Estrela" de Benoîte Groult. 

A francesa Benoite Groult, uma das mais importantes romancistas e ensaístas de sua geração, escreveu, aos 86 anos, um delicado elogio à maturidade. Com um texto sensível e inquietante, ela ilumina com sua lucidez a fobia da velhice e defende a passagem do tempo como conquista da experiência, e não perda da juventude. Um toque na estrela é uma bela reflexão sobre a vida, um texto em que a autora cria uma personagem que sente o peso da idade, mas ao mesmo tempo esbanja lucidez e bom humor.


Gostei muito do livro e quero lê-lo outra vez para incorporá-lo mais...Rico em detalhes e emoções.
Apesar de lindo e do meu desejo de reler, o livro me despertou um sentimento ruim....uma saudade do meu irmão, uma sensação de solidão muito grande e um enorme medo de perder meus pais. 
Aqui está um trecho do livro que me fez ficar muito triste:

"Preferia se refugiar junto com Hélène, em Cannes, explicando que é entre irmãos e irmãs, quando se tem a sorte de tê-los, que aprendemos a viver o luto de um parente ou cônjuge. Somente eles são depositários da mesma fatia de memória familiar. A morte dos pais só se torna definitiva no dia em que seus filhos não estiverem mais lá para evocá-los. Então, é verdadeiramente abolida a memória do que eles eram. Sobreviverão, brumosos, nas lembranças dos netos, que só o conheceram velhos."

Acho que não preciso explicar os motivos que me fizeram ficar incomodada...é tão óbvio. Com quem vou reviver momentos importantes da minha vida onde somente nos quatro fomos testemunhas???

O post é triste e muito depressivo, mas, infelizmente, para mim isso ainda é muito comum...ainda estou vivendo o luto pela perda do meu irmão. Hoje, inclusive, completa 10 meses da passagem dele e um ano da passagem do marido da minha tia Nara. Tão estranho tudo. O "meu tio" morreu exatamente no dia do aniversário da minha tia. Lembro que fiquei muito estranha durante todo o dia e que a noite enquanto caminhava em direção ao meu restaurante japonês favorito na cidade que morava na Suécia, comentei com meu ex-marido que meu coração estava muito apertado e muito dolorido. Depois fiquei sabendo que foi justamente naquele horário que minha tia ficou viúva. E eu nem podia imaginar que dois meses depois seria meu irmão!!!

sábado, 11 de junho de 2011

Antigas histórias X novas histórias


A vida continua...a vida mulherzinha também...
A saudade do meu irmão é uma constante. Só muda a intensidade, as vezes consigo suportar e outras não...choro muito e me sinto muito impotente quando vejo minha mãe chorando...
Esses dias ela começou a mexer no quarto dele. Difícil...ver tudo e pensar que eu "nunca mais" vou ver meu irmão lindo de terno, gravata e todo cheiroso...como meu irmão era cheiroso!!!
Essa noite sonhei com ele...acordei triste e alegre...
As vezes, é difícil aceitar que ele apenas foi para o lado de lá...

Jag saknar dig...min bror - Eu sinto saudade de você...meu irmão

***

Os projetos começam, aos poucos, surgir.
A vida vai tomar o rumo certo.
Tenho certeza!!!
Algumas viagens marcadas.
Algumas alegrias tímidas.
Uma vontade louca que tudo seja cicatrizado e que vire apenas antigas histórias.
Uma vontade louca de viver novas histórias!!!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

A senhora não tem, mas é!!!

Como já disse antes, o mês de Maio na minha família tem muitas comemorações. O aniversário do Alexandre, o meu e o dia das Mães.

Logo após o sepultamento do Alexandre, quando cheguei em casa, disse que o dia 05-05 eu iria pular. Disse que simplesmente iria passar do dia 04 para o dia 06 direto. Disse que não aguentaria...seria demais para mim. Um dia sempre muito comemorado!!! Minha mãe sempre fez de nossos aniversários uma grande festa. Festa no sentido figurado da palavra...festa mesmo não foram muitas. Quando criança comemorei, algumas vezes, o meu aniversário com meu irmão. Escolhíamos uma data entre os dois e comemorávamos...me lembro da festa de palhaço e a de super herói.... O nosso aniversário era uma festa no sentido que sempre era um dia especial, com direito ao prato predileto no almoço e torta a noite. A minha era a Floresta Negra ou a de Damasco e a do meu único irmão era sempre a de Morango.

Assim, esse ano eu sentiria um grande vazio no dia 05/05.

Mas não...está sendo diferente.

Depois que falei com a minha mãe que queria pular o dia cinco de maio, lembrei-me um fato muito importante que mudou por completo meu sentimento. Exatamente no ultimo sábado do Alexandre fora do hospital, minha mãe encomendou uma torta deliciosa de morango com chocolate e encomendou também salgadinhos. Eu estava com saudades das festas de aniversários brasileiras. Assim, nesse dia a mesa foi preparada. As 18.00 ou as 18.30, não me lembro bem, nos reunimos na cozinha. Os quatro juntos como sempre. Alexandre fez um comentário, disse que parecia mesa de aniversário. Não sei por que, mas depois desse comentário, eu disse que deveríamos comemorar todos os aniversários naquele dia, afinal não estaríamos juntos na data correta. E assim fizemos. Primeiro, como sempre ele pedia, rezamos um pai nosso de mãos dadas. Depois, cantamos parabéns para vc e nos felicitamos como se fora realmente nossos aniversários.

Quando lembrei disso, algo dentro de mim mudou...e eu pude sentir que não era mais necessário eu pular o dia 05/05, afinal já tínhamos comemorado o aniversário dele de 38 anos.

Bem, eu voltei para a Suécia e, apesar de saber que muita coisa tinha mudado eu comecei a pensar em voltar ao Brasil para passar o Dia das Mães com a minha mãe. Seria o primeiro Dia das Mães sem o Alexandre e eu não queria que minha mãe passasse esse dia "sem filho". Minha mãe perdeu a mãe quando tinha 17 anos e sempre ficou muito triste no Dia das Mães. Uma vez, meu irmão incomodado com a tristeza da nossa mãe disse: - A senhora não tem, mas é!!! Não sei quantos anos ele tinha quando filosofou dessa maneira. O fato é que sempre que eu ou meu irmão víamos nossa mãe triste nesse dia, repetíamos a sábia frase do meu irmão: “A senhora não tem, mas é!!!” na minha cabeça seria muito difícil para minha mãe, afinal nesse dia não teria sua mãe, nem o filho e eu estaria longe, do outro lado do oceano. Eu não podia permitir que isso se passasse com a minha mãe. Eu sentia que de alguma forma teria que estar junto dela. Sonhava, mas a certeza de estar nesse dia com ela era apenas um sonho.

Bem, as coisas mudaram muito e eu tinha que voltar para o Brasil. Assim, mandei um e-mail solicitando uma reserva. Disse apenas que queria antes do dia 15/05. Esperei alguns dias para ter a resposta e para minha surpresa, a data de minha chegada seria dia 05/05. Mal pude acreditar quando vi a data. Naquele instante tive certeza que o mundo conspirava para a minha volta no dia 05/05.

Mais problemas surgiram e eu quase não consigo chegar nesse dia. Mas, por obra Divina, eu vou chegar em Belo Horizonte no dia 05/05, aniversário do meu irmão. Tive que cancelar a primeira reserva e a segunda também foi para o dia 05/05. As vezes, é impossível lutar contra!!!

Daqui algumas horas, chegarei em Belo Horizonte para recomeçar minha vida, terei um renascimento, creio eu. Meu novo nascimento será dia 05/05, dia do aniversário do meu irmão e antes do Dia das Mães. Dia 05/05 continuará sendo um dia de festa, primeiro porque, para mim, sempre será o dia do Alexandre e depois porque será a data que lembrarei como sendo o meu recomeço.

E nesse dia das mães minha querida mãe vai poder ouvir novamente: - A senhora não tem, mas é!!!!!!!!


Obs. Escrevi esse texto quando voava para o Brasil...muita emoção!!!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(Fernando Pessoa)
Meu único irmão adora declamar esse poema do Fernando Pessoa...escutei tantas vezes que até decorei!!!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A madrinha de adoração

"Emmanuel e Alice, logo perceberam o grande amor que Gérbera, a tia, nutria por eles!
Havia uma identificação total entre a tia e as duas adoráveis crianças. Era um amor incondicional, pleno e recíproco. Recíproco sim, Gérbera percebia esse sentimento através dos olhinhos deles, nas menores atitudes e no grande agarramento que eles tinham com ela. Com Gérbera, mesmo na ausência da mãe, eles se sentiam seguros. Isso a deixa radiante. E amor é assim é assim: quando mais você oferece, mais você recebe! Quanto mais você recebe, mais você oferece! É uma verdadeira "bola de neve". É gratificante para quem possui este tipo de amor...
Gérbera não media esforços para agradá-los. Procurava sempre estar presente em seus momentos especiais, testemunhando a alegria dos dois. Por sua vez, eles também sempre presentes na vida de Gérbera. Apesar de madrinha de Emmanuel, não fazia distinção entre o afilhado e a sobrinha querida.
Gérbera trabalhava em Belo Horizonte e eles no Estado do Rio. Encontravam-se com certa frequência na casa do Vô Rocha, no interior de Minas. Algumas vezes em Belo Horizonte, outras vezes no Rio. Gérbera morava em um apartamento alugado, mas os acolhia com todo aconchego.
Alice com seus três anos ouviu uma conversa de Abelardo e Ingrid. Eles iam comprar um apartamento para Dona Emerenciana, mãe de Abelardo, das crianças. A menina muito viva, ingenuamente disse ao pai: - Pai, compra um apartamento para a tia Ge também!!
Emmanuel é afilhado de batismo de Gérbera. Alice afilhada de batismo de dona Dilza, amiga de Ingrid, que muito a ajudou quando quase perdeu Alice, aos dois meses de gravidez. Dona Dilza é uma senhora muito bondosa, bem mais velha que Ingrid. Ingrid têm muitas amigas mais velhas que ela, talvez seja por ter perdido a mãe com apenas 17 anos. Busca nas amigas com idade mais avançada, a figura da mãe que partiu muito cedo. Dona Dilza gostava imensamente de Ingrid e Alice e fazia-lhes muitos mimos. Quando eles foram para o Estado do Rio, a distância os afastou um pouco.
Alice carente de madrinha sentia muita falta e ficava com ciúmes da madrinha de Emmanuel. A situação se agravava quando Emmanuel, percebendo sua fragilidade, começava a elogiar a sua madrinha, com a nítida intenção de aborrecê-la dizia: - Sua madrinha é muito velha!! A minha é bonita!! Ela ainda usa biquíni!!
O martírio da menina era aparente. A falta da madrinha lhe fazia mal...foi ai que Gérbera tornou-se madrinha de Alice também...Não foi madrinha de batismo, nem de consagração, nem de representação: foi madrinha de "adoração". Assim estava criada uma nova modalidade de madrinha. Madrinha de adoração!"
Autora: Maria Consuelo
Colaboradora: Luciana

(Emmanuel: meu único irmão Alexandre, Gérbera: minha tia Con, Ingrid: minha amada mãe, Abelardo: meu querido pai, Alice: eu)


***

As vezes, me pergunto: - Por que a nossa relação mudou tanto? Quanta coisa aconteceu...
Se eu pudesse faria com que tudo voltasse "ao normal". Que o amor fosse incondicional e pleno novamente, mas....

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Escolha Feliz


Uma vez eu tirei férias em Maio. Maio e Junho são meses que comemoramos várias datas importantes na minha família. Comemoramos o aniversário do meu único irmão, o meu, da minha mãe e do meu pai. Além de comemorarmos todos os aniversários, comemoramos também o Dia das Mães. Em 2006, eu fui para Arraial D'Ajuda - BA e tinha que escolher: ou passava o aniversário do meu único irmão junto da família ou o Dia das Mães. Eu escolhi comemorar o aniversário dele com ele. Não sei porque escolhi dessa forma. Hoje, me sinto aliviada e feliz com a minha escolha. Foi o último aniversário dele que passamos juntos. Deus obrigada por ter me ajudado na escolha!!!!

Foto: meu único irmão e eu - aniversário dele/05.05.2006

Foto: Arraial D´Ajuda - Maio/2006

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Uma vez irmã, sempre irmã!!!


Eu penso muito. Meus pensamentos são desconexos, alegres, tristes, otimistas, pessimistas...na verdade isso não importa muito. As vezes, eu penso algumas coisas interessantes e nunca escrevo, agora vou sempre escrever.

Quando fui para o Brasil em Dezembro escrevi no meu facebook e orkut: "Fui ali...ser filha e irmã".
Fui para o Brasil, fiquei lá por três meses, meu irmão partiu, voltei para a Suécia há quase um mês e a frase continua a mesma.
Quero mudar a frase, mas me falta coragem. As vezes, me sinto culpada por querer tirar a frase. E como se eu estivesse traindo meu irmão.
Mas hoje cheguei a conclusão: isso é muito simples. Eu posso tirar a frase, afinal eu sempre serei filha e irmã, independentemente do meu único irmão estar do lado de cá ou do lado de lá. Não importa, ele sempre será meu irmão.

Estou aqui...sou filha e irmã!!!!!

terça-feira, 29 de março de 2011

Sinais?

Muitas coisas boas aconteceram depois da passagem do meu único irmão Alexandre. Muitos sonhos e sinais que mostram para mim que ele está bem e feliz. Este não é um post religioso, mas quero deixar claro que eu sou Espirita (leia-se: o espiritismo como codificado pelo francês Allan Kardec). Respeito todas as crenças e religiões, inclusive convivo com diferentes tipos e espero que também seja respeitada. Procuro, na medida do possível, tratar os outros como gostaria de ser tratada. Digo na medida do possível, porque sou humana e como todos os humanos, eu erro muito.

Coisas boas aconteceram e coisas ruins também. Estou passando por outras provações em outros aspectos da minha vida.
Entreguei minha vida a Deus no dia que voltei para a Suécia. Meus pais foram comigo até São Paulo, onde peguei o vôo de volta. Fomos um dia antes para fazermos tudo com calma, afinal seria uma viagem dificil para mim e para eles também. Na manhã do meu embarque, ainda no hotel, rezamos. Como no "Culto no Lar" que eles fazem todas as semanas, meu pai abriu ao acaso o Evangelho segundo a Doutrina Espirita, leu em voz alta e depois fizemos os nossos comentários. Nesse instante senti mais uma vez a presença de Deus e confiante Nele entreguei-O a minha vida.

A viagem foi tranquila. Meu companheiro de vôo era um médico que estava indo para um Congresso Internacional sobre Trombose. Como de costume falei que iria fazer caminhadas durante o vôo (hábito que adquiri depois de uma trombose que tive em 2008). E ai começamos a conversar sobre trombose e ele disse que podia ficar tranquila que por falta de socorro não iria morrer...rsrsrs...
Ele foi um anjo. Além de me explicar algumas coisas sobre trombose, na metade do vôo contei para ele a história da passagem do meu irmão. Ele, como todas as outras pessoas, ficou chocado quando contei o que aconteceu. Ele me deu os sentimentos e continuamos a conversar. Foi tão boa a conversa que perguntei algumas dúvidas e mostrei uma cópia do atestado de óbito do Alexandre. E ele me explicou várias duvidas que eu tinha. Enfim, mais uma vez conclui que fora a vontade de Deus e o procedimento do hospital e dos médicos estavam certos. A hora dele tinha chegado, cedo demais para mim, mas na hora de Deus.

Logo nos primeiros dias aqui tudo foi muito confuso por causa dos meus outros desafios. Mas semana passada me deu vontade de ler alguma coisa. Fui até minha estante e logo de cara peguei o livro "A Cabana" de William P. Young. Peguei o livro e logo me lembrei que tinha sido um presente do meu ùnico irmão quando fui ao Brasil em 2009/10. Lembrei também que já tinha começado a ler, mas parei logo nas primeiras páginas. Naquele momento o livro não me pareceu interessante ou não era a hora certa para lê-lo. Comecei a ler com o objetivo de ir até a última página custasse o que custasse e pensei que ali poderia encontrar algum sinal.

Na verdade eu sabia muito pouco do livro, mas logo nas primeiras páginas, ao contrário da primeira vez, o livro "A Cabana" me pareceu muito interessante. O livro aborda a história de Mack Allen Phillips, um homem que vive sob o peso da experiência de ter sua filha Missy, de seis anos, raptada durante um acampamento de fim de semana. A menina nunca foi encontrada, mas sinais de que ela teria sido assassinada são achados em uma cabana perdida nas montanhas.
Vivendo desde então sob a "A Grande Tristeza", Mack, quatro anos depois do episódio, recebe um misterioso bilhete supostamente escrito por Deus, convidando-o para uma visita a essa mesma cabana. Ali, Mack terá um encontro inusitado com Deus.

Dificil explicar os sentimentos que o livro me despertou. Várias vezes parei de ler, chorei, ri, senti a presença de Deus. Um dos momentos mais marcantes foi quando li a seguinte frase:
" Por isso seu nome é Emanuel, Deus conosco, ou Deus com vocês, para ser mais exata"
Essa frase me tocou em especial por causa do nome do meu único irmão ser Emanuel nos contos da minha tia, como pode-se ver no post anterior. Muitas perguntas surgiram, porque: o livro ter sido dado por ele, não ter conseguido ler antes, de ter sido o primeiro livro que peguei depois da passagem dele, do nome dele ser Emanuel nos contos da minha tia, comecei agora com a publicação dos contos????....
Não sei o porque....mas tenho certeza que não foi uma mera coencidência.
Ao lê-lo, muitas áreas e paradigmas foram remexidos dentro de mim. Fui confrontada com as minhas dúvidas e limitações. Fui confortada por compreender como todos temos o nosso processo individual de crescimento com Deus, numa perspectiva de relacionamento.
A meu ver, perante uma sociedade pós-cristã mas espiritualista, apresentar Deus como alguém que se quer relacionar connosco - onde quer que estejamos no nosso relacionamento com Ele - e de um modo tão simples de ser apreendido pelas pessoas que vivem aqui e agora, é um desperdício não ser lido de coração aberto...

"Cada relacionamento entre duas pessoas é absolutamente único. Por isso você não pode amar duas pessoas da mesma maneira. Simplesmente não é possível. Você ama cada pessoa de modo diferente por ela ser quem ela é e pela especificidade do que ela recebe de você. E quanto mais vocês se conhecem, mais ricas são as cores desse relacionamento."

“Há ocasiões em que optamos por acreditar em algo que normalmente seria considerado absolutamente irracional. Isso não significa que seja mesmo irracional, mas certamente não é racional. Talvez exista a supra-racionalidade: a razão além das definições normais dos fatos ou da lógica baseada em dados. Algo que só faz sentido se você puder ver uma imagem maior da realidade. Talvez seja aí que a fé se encaixe.”

terça-feira, 22 de março de 2011

Tácito Pacto


Como já disse aqui, minha tia, antigamente, escrevia contos narrando alguns episódios da família. Inclusive já postei um aqui: "Um Conto de Natal" . Sempre tive vontade que ela escrevesse mais e publicasse esses contos. Durante muito tempo pedi para ela me dar uma copia, ela sempre enrolava, dizia que ia procurar nas inúmeras caixas de papel da casa dela e nunca me dava. Dessa vez que fui ao Brasil pedi novamente, antes mesmo da passagem do meu irmão. E foi diferente, ela procurou e encontrou os contos, talvez ela procurou motivada pela passagem dele e na tentativa de resgatar mais essas memórias dele. Ela me deu autorização para publica-los aqui e fazer a revisão e a alteração em alguns pontos. Assim vou começar esse trabalho, motivada pela vontade de relembrar mais momentos do meu único irmão.

"Era um Sábado! Gérbera chegou voando de Varginha, onde fazia Letras, numa faculdade de finais de semana. Esbaforida, desceu da carona, ali mesmo perto do busto de Dona Ambrosina. Em dois passos, atravessou a larga avenida. Entrou na Santa Casa com o coração na mão, como se fosse tirar o pai da forca.
- Ingrata! Não me prometeste que não iria parir durante minha ausência? Disse Gérbera com a voz engasgada, mal olhando para a jovem mãe, já inclinada no bercinho da criança.
- Deus o abençoe, meu afilhadinho adorado! Alisava suas mãozinhas pequeninas, seu rostinho rosadinho e sua cabecinha, quase sem cabelos...
Admirava com profunda ternura o belo bebê que dormia serenamente com um tricozinho azul piscina, embrulhadinho num mantinho, também azul...
Naquele instante, foi travado um tácito pacto entre os dois:
- Seremos sempre amigos! Muito mais que madrinha e afilhado! Dali não saiu mais! Sempre ao lado dele, mesmo que muitas vezes a quilómetros de distância...
Agora, sim...
Voltou-se para a jovem e abençoada mãe, que sorria iluminada, diante de sua bela obra. Deu-lhe um beijo:
- Tiu! Não tenho palavras...
Ao lado da cama , orgulhoso, num sorriso de orelha a orelha, decretou Abelardo:
- É menino homem! Como eu queria!
Saíram da Santa Casa, direto para a casa do vô. A alegria era geral!
Na manhã seguinte, Ingrid, às seis da manhã, acorda Gérbera em seu quarto:
- Emmanuel está todo cagado! Vamos trocar a fraldinha?
Infelizmente o resguardo acabou e a família retornou para Perdões...
A casa ficou vazia, triste, todos reclamavam!
Sempre que podia, Gérbera estava lá para beijar e colocar-lhe a bênção... - Lindinho da dindinha!
Julho. Uma noite fria. Emmanuel chorava muito. Ingrid exausta não sabia mais o que fazer para acalentá-lo. Emmanuel estava com saudade da madrinha...
Gérbera tomou a criança nos braços, ninou-a um pouquinho, envolveu-a no seu peito amoroso. Emmanuel foi parando de chorar e logo já dormia profundamente.
- Vamos colocá-lo no berço? Propôs Ingrid satisfeita! Mas Emmanuel começou a chorar novamente...
Voltou para os braços de Gérbera...
Na manhã seguinte, Ingrid vem pegar Emmanuel que ainda dormia serenamente no tronco da madrinha enquanto ela dormia também, no sofá da sala. Ingrid pensou: - Que perigo! O menino poderia ter caído durante a noite!
Crescera sadio, conservando sempre sua alegria e simpatia natural... Sempre recebia com muito carinho a madrinha.
- Quer um cafezinho? Oferecia ele, segurando uma bandejinha de brinquedo de Alice, sua irmã que nasceu três anos depois daquele sábado que travaram o pacto de serem sempre amigos.
Outra vez, aquele toquinho de gente, com a bolsa de Gérbera pendurada no pescoço, gritava lindamente: - "Ói o cocoé coco!" - "Ói o cocoé coco!" Imitando os meninos que vendiam picolé em caixinhas de isopor.
Já maiorzinho, começou a intrigar as meninas... Quantas namoradinhas... Mas sonhava mesmo, era com uma moça especial: - Mãe! Quando eu tiver um pouco mais de idade vou a Londres! Quero conhecer uma bela °Inglaterrana" para ser sua nora!
Que maravilha! Agora Emmanuel no auge dos seus dezesseis anos, todo alinhado em um belo terno e gravata, dançando a primeira valsa da segunda formatura com sua madrinha querida! Quem já viveu uma alegria assim?
Hoje, formoso rapaz. Formou-se advogado. Inteligente, carteira da OAB, no primeiro exame! Elegante vai ao Fórum, como fora Abelardo. Na sua primeira audiência, elogiado, até pelos funcionários da casa...Porém nunca perdera sua simplicidade. Feliz por ter cumprido parte de seu juramento: o de defender os injustiçados!
- Graças a Deus! O pobre homem já está em casa desfrutando da companhia da mulher e dos filhos! Concluiu ele, agora com natural orgulho do moderno "rábula°, recém formado!
Agora imaginem só: virou chantagista da própria madrinha, aquela com quem firmara pacto de amizade em seu primeiro dia de vida!
- Gérbera! Vou me encontrar com aquele "primo" e revelar a ele sua admiração!
- Vou dizer-lhe que você adora passear na Fazenda com um "Eco Sport".
Apreensiva Gérbera pede: - Ô! Meu filho! Não faça isso, por favor!
Maroto ele sai sorrateiro, com aquele sorrisinho que só ele tem e pensando: - Eu nunca vou fazer isto com ela!"
Autora: Maria Consuelo
Colaboradora: Luciana

(Emmanuel: meu único irmão Alexandre, Gérbera: minha tia Con, Ingrid: minha amada mãe, Abelardo: meu querido pai, Alice: eu)



Acabo de escrever isto com a certeza que amo meu único irmão de uma forma ainda mais intensa. Sempre estaremos juntos, em sintonia. Mesmo enquanto eu estiver do lado de cá e ele do lado de lá. Os laços de amor sempre se fortalecem, independente da distância física.

terça-feira, 1 de março de 2011

Meu único irmão


A dor é muita, o coração está sangrando, falta um pedaço de mim!!! Na verdade, não sabia o que era a morte, apesar de já ter perdido avô, avó, tios, tias e amigos, só agora compreendi como é doloroso. Nada se compara com a dor da perda do meu irmão.

Nos primeiros dias eu achava que nunca mais seria feliz, que nunca mais vibraria com uma conquista com a mesma emoção de antes, que nunca mais teria vontade de escutar uma música ou nunca mais acharia algo bonito o suficiente para bater uma foto. Depois minha mãe conversou comigo e me explicou que essa dor vai passar e que eu conseguirei ter momentos felizes. E ela falou com conhecimento de causa, pois perdeu a mãe (no caso, minha avó) com apenas 17 anos de idade e nem por isso deixou de viver grandes momentos de alegria e plenitude.
Minha mãe estava certa, eu já consegui escutar música do ipod quando voltava da terapia (necessária para me dar forca para voltar para a Suécia). Eu também já conseguir fotografar uma orquídea linda que floresceu dias depois do sepultamento do Alexandre. O dia que aconteceu eu fui ao orquidário da minha mãe procurar uma flor para colocar na mão dele, mas não tinha nenhuma orquídea e eu acabei colocando uma rosa, também do jardim da minha mãe. Menos de uma semana depois, três orquídeas abriram e antes nem tinha botão nenhum!!!

Se Deus quiser, minha vida voltar ao normal com alegrias e grandes emoções, mas é claro que sempre vai faltar um pedaço de mim e a saudade sempre também será enorme.

Eu e o Alexandre tínhamos uma relação muito intensa. As vezes, tinha vontade de bater nele, afinal ele me enchia a paciência com muitas coisas e outras vezes, tinha vontade de colocá-lo no colo e dizer que eu resolveria tudo para ele. Ele era carinhoso, carente, ciumento, humilde, caridoso, amigo, bom filho, alegre, gostava de falar bobagem, tinha o apelido de feliz e magrelo (atualmente estava até bem gordinho), prestativo, mas também era chato, implicante, pessimista e desconfiado. Namorador e conquistador a moda antiga...muitas vezes mandou flores e bombons para as escolhidas dele. Fez muitas serenatas quando mais jovem...em uma dessas danificou o muro da casa da eleita e no dia seguinte mandou um saco de cimento para o pai da moca, afinal ele não gostava de dar prejuízo para ninguém...rsrsrsrs...

Não casou, acho que porque nunca encontrou uma mulher que tivesse os mesmos atributos e qualidades da nossa mãe que ele amava de maneira incomensurável e até doentia.
Sempre quis um filho, apesar de ser muito precavido nessa questão. Não teve filho, mas uma vez um dos meninos que ele encontrava em um bairro pobre para lanchar e conversar, perguntou se podia chamá-lo e considerá-lo como pai (o pedido foi feito no pé do ouvido em um dia de verão quando todos os meninos tomavam coca cola e sorvete juntos). Motivo de muita alegria do Alexandre que quando chegou em casa contou para a nossa mãe com lágrimas nos olhos.

Dizia que só iria na minha casa na Suécia quando eu estivesse gravida, só para passar a mão na minha barriga...infelizmente a minha dificuldade em ovular impossibilitou essa viagem...

São muitas histórias...e poderia ter tido outras se não fosse sua precoce e rápida partida. Ele foi para os braços do Pai com 37 anos, 9 meses e 1 dia...

Tudo aconteceu muito rápido. No dia 24 de Janeiro foi para Belo Horizonte fazer um curso. Nesse mesmo dia parou de fumar e beber cerveja. Na terça ligou reclamando dor de cabeça, quarta disse que parecia estar gripando, quinta ligou pedindo que nos fossemos ao encontro dele. No dia 28 (sexta-feira) foi para o Hospital Mader Dei para fazer um radiografia do pulmão, pois o médico suspeitava de uma pneumonia. Ficou internado até o dia 30 (domingo) em um apartamento e por causa da falta de ar, usou o balão de oxigénio. Nesse mesmo dia na hora do almoço teve uma dor no peito e para segurança foi encaminhado para o CTI do mesmo hospital. Quando voltamos lá as 20:00 para a visita, estava entubado e sedado. Assim ele ficou até o dia 06 de Fevereiro quando desencarnou. Durante essa semana a febre só foi aumentando (chegou a 43 graus) apesar de todos os remédios e medidas paliativas para baixar a febre. O rim parou de funcionar e o médico disse que precisaria fazer diálise. Esse procedimento não foi feito, ele partiu antes. No dia 06 de Fevereiro quando entrei no CTI vi a situação péssima, me lembro de poucas coisas...mas o número 57 ficou marcado...era a média da pressão dele. Dias antes um enfermeiro me explicou que eles prestavam a atenção na media, que não podia ficar abaixo de 60 e se isso acontecesse eles deveriam fazer de tudo para aumentar essa média, pois indicava uma situação critica. Quando cheguei e vi o número 57, entrei em pânico. Muito difícil esse momento até que as 22:00 o médico nos deu a noticia que nunca queria ter ouvido.
Doloroso escrever tudo isso, mas eu achei necessário, acho que faz parte do meu luto.
Sei que agora ele está bem...afinal ele está nos braços do Pai
Confio em Deus e concordo com Santo Agostinho quando ele diz: "A angústia de ter perdido, não supera a alegria de ter um dia possuído"

Desculpem o post longo...mas era necessário...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Alexandre

Alexandre, meu único e amado irmão.
Ele foi para os bracos do Pai.
A dor é indescritivel, meu coracão está sangrando.
Mas, se Deus quiser, com o tempo vai ficar só a saudade que sempre será enorme.


Alexandre,
Eu te amo muito, muito mesmo e na próxima vida eu quero vir novamente sua irmã de sangue. Difícil explicar e escrever tudo que eu sinto
Por você eu faco tudo...vc sabe, eu sempre te disse isso!!

"A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho.
O que eu era para vocês continuarei sendo.
Me dêem o nome que sempre me deram, falem comigo como vocês sempre falavam.
Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo
que nos fazia rir juntos. Pensem em mim. Rezem por mim.
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho." (Santo Agostinho)