sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Um Conto de Natal

"Ela tinha mais ou menos uns 12 anos.
Foi em um dezembro, bem perto do Natal.
A família toda já em férias vinha todo ano para Minas, passar o Natal com o vô Júlio em Bom Sucesso. Antes, porém, passava em BH para visitar a Vó Neguita e os tios.
Nesse dezembro, não fora diferente: Cláudia, toda entusiasmada, aproveitava o comércio de BH para concluir, com esmero, o seu grande sonho para a grande noite: Um Natal bem bonito, cheio de cores, luzes e músicas. Presentes para todo mundo... Alegria à solta...Uma festa...!
Era a melhor espera: O Natal!!!
Enquanto Cláudia visitava as lojas, para comprar alguns presentes de última hora na "Bel" - leia-se Mesbla, (que horror! Um passo para frenteoutro para trás. Um burburinho total), eu aproveitava a companhia de Alexandre e Lu para curti-los.
Nessa noite Lu e eu estávamos na Sear´s. Lugar gostoso, ar condicionado, muito brilho...Estávamos contemplando calmamente a criançada em volta do Papai Noel. Ele, todo empolgado em seu traje tradicional de gala, barbas compridas e muito brancas mesmo, bochechas rubras, um sorriso enorme...
Estava assentado em uma cadeira imponente em couro marron, com grandes braços e cabeceira alta, rodeados por crianças ansiosas para lhe apresentarem seus pedidos, contidos no peito o ano inteiro. Foi nesse momento, em que nós descíamos a escada rolante para o térreo, que eu criei coragem e lhe fiz a revelação mais cruel da vida, em meu modo de pensar. Menina ingênua, terna, meiga. Não merecia uma bomba dessas:
- Lu, minha querida, Papai Noel não existe! Disse eu, como a mais perversa algoz.
- O quê? Disse ela, com os olhos arregalados, prontos para derramaren algumas gotinhas.
- Meu Dues! Acabei com o sonho dessa menina, ainda uma criança...Pensei eu, meio que arrependida da inoportuna revelação. Mas, em fração de segundos, olhei para ela e a vi com um lindo sorriso nos lábios...
Eu não vi, mas tenho certeza de que Papai Noel, o Menino Jesus, lhe disse baixinho no seu ouvido e coração:
- Eu existo sim! Creia sempre em mim! Não desista nunca de seus sonhos! Realiza-os. Intensamente, até seu último suspiro!"


Minha tia, antigamente, escrevia contos narrando alguns episodios da família. Neles, meu nome era Alice. Ontem, ganhei um conto dela. Dessa vez meu nome era o meu verdadeiro e misturava vários episodios da minha infância.

Um comentário:

Anônimo disse...

Nossa Lu, fiquei emocionada de lembrar destes tempos...
Como era bom,e tenho saudade de qdo eram pequenos,e acreditavam no Papai Noel
Feliz ano novo!!!!!
Beijos,Claudia.