sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sentimentos de mães

"Hoje, no jardim de minha casa, um passarinho fêmea choca com o seu calor e presença seus filhotes. O ninho, bem no meio das plantas se confundem com as folhas e a silhueta do pássaro, só o visualizo com alguma dificuldade. Sinto-me comovida, emocionada com a cena. A mãe pássara, paciente, persiste dias e dias a chocar suas crias. Penso então, o quanto é forte e atávico o sentimento da maternidade. Hoje, quando sofro pelas divergências com meu filho, que se prepara para construir sua própria família, vejo com a minha dor parece pequena. Pequena, comparada com a dor de minha paciente que acompanha o seu bebê prematuro no hospital, tendo que lidar com a possibilidade de uma perda, ou a paciência de acompanhar minuto a minuto a respiração e as batidas do coração do seu filho tão desejado.
Três mães, no mesmo momento, vivenciando um complexo de sentimentos acionados pelo vínculo da maternidade: amor, paciência, temor, doação, resiliência. A todo o momento, quero observar a mãe pássara, talvez aprender com ela um amor e uma dedicação incondicional, só encontrados na figura mãe. Quero aprender, também com ela, a arte de desapegar, quando o filhote já se encontra pronto e observar o seu voo, sem pesar, ou sensação de abandono.
Preciso meditar, clarear meus sentimentos, porém me permitir esta tristeza que revela algo de mim que ainda conheço pouco. Mais uma oportunidade de me conhecer, sem necessariamente entender, pois os mistérios da vida e do coração humano precisam mais do que ser entendidos, serem respeitados e reverenciados.
Sim, não fugirei a experiência, sou corajosa, e me respeitarei como pessoa e mãe que construí com amor, mas  também com dor."

Maria do Carmo Nacif de Carvalho
05 de maio de 2012.

Hoje recebi da minha terapeuta esse texto.
A paciente sou eu, a possibilidade de perda não existe mais e "a paciência de acompanhar minuto a minuto a respiração e as batidas do coração do seu filho tão desejado" foi substituida pela paciência em esperar meu "pequeno" grande guerreiro chegar no peso de um bebê comum.
Também sou corajosa e a experiência da maternidade, apesar de recente, já me ensinou muito....

2 comentários:

Cristina Pavani disse...

Oi Luciana e demais leitores!
Li praticamente todo seu blog e sua história dá um livro...
Que comoventes os últimos posts!
Curiosidade: você costuma descontar os meses em que o Mathias "pulou antes"?
Conheço uma mãe que faz duas contagens: com os nove meses e sem os nove meses!
No final não importa, a vitória é a mesma!!!
Abraço a você e todos os leitores.
Cri.

Celia disse...

Oi Lu, estava de férias e por isso nao vim aqui. Hoje quando cheguei, fiquei super feliz, em ver o Mattias já grandinho e com um rostinho muito lindo. Deus é Pai amiga. Lembre-se sempre disso. Muitas felicidades pra vcs. Bjs