Estudar sueco tem sido muito agradável e eu que pensei que isso nuca fosse acontecer!
Estou lendo um livro em sueco e fazendo um resumo. Interessante... talvez porque gosto de fazer isso em português.
Os dias têm sido assim: estudo, um enorme vazio no peito e uma sensação de não pertencer a nada e nem a lugar nenhum. Estou com medinho, mas tenho fé em Deus que isso vai passar.
As injeções continuam (até Novembro, diga de passagem). Acho que não vou acostumar nunca. Todo dia é aquele sofrimento, pode até parecer drama e exagero meu, mas choro quase todos os dias de dor. Talvez até minha mãe e pai venham me aplicar algumas... rsrsrsrsrs... quem sabe?
Eu ia gostar muito, a dor seria aliviada com o carinho e amor deles.
Outro dia minha cunhada disse que parece que eu não cortei o cordão umbilical. Será? Eu, particularmente, acho que cortei sim. Se não tivesse cortado, provavelmente não teria mudado de pais. Realmente, as vezes, pode parecer que não cortei, mas que mal há em sentir saudades, querer estar junto e querer os sábios conselhos daqueles que me amam mais que tudo e são meu porto seguro? Além de tudo, eles são meus melhores amigos!
Hoje voltei da aula cantando "As Águas de Março". Aqui, no caso, são as águas de Agosto fechando o verão...
Águas De Março
(Tom Jobim)

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma ponta é um ponto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
5 comentários:
Eu entendo perfeitamente o que vc sente, as pessoas tambem me dizem isso,que nao cortei o cordao umbilical, nao sei se e pelo tipo de pais que tive a sorte de ter, daqueles que dao a vida por voce, tambem sinto muito a falta deles.Viver longe e uma opcao, mas o coracao da gente sempre vai ficar dividido.
Angeles
Olá, descobri seu blog hj por acaso... nos comentários da juci.. e vi q vc é advogada e tal.. queria saber se vc tem um email pra gente se falar. Eu tb sou advogada, moradora (ex) ai q difícil.. dividida entre a Holanda e Rio.. complicado..
Oi Erika,
Meu e-mail é lucianareidler@gmail.com
Vou gostar muito de conversar com vc!!
Beijinhos
Oi Luciana,
Como vc disse, seria dificil ter mudado de pais se nao tivesse cortado o cordao umbilical, nao vejo problema algum em sentir saudades, acho ateh bom, da aquele gostinho de querer mais, he, he.
bjs
oi Lu, te mandei um email!!
Menina, essa sensação de não pertencer a nada e nem a lugar nenhum, eu entendo bem............ e me deixou doidinha! rs
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