
Como qualquer outra imigrante, convivo com as mais diferentes culturas e isso me encanta profundamente, além da curiosidade natural de uma quase antropóloga...rsrsrs (antes de Direito, fiz Ciências Sociais).
As vezes, quando a aula está chata, fico olhando aqueles rostos e imaginando como foi o caminho de cada um até chegar aqui...sei que muitos encontraram guerra e perseguição durante a caminhada.
Fico só imaginando, porque nunca pergunto nada, apenas escuto (muito interessada) quando falam alguma coisa. Não quero ser indelicada, afinal a possibilidade de terem histórias tristes é grande.
No meu curso antigo, fiquei sabendo de coisas muito complicadas...o filho de uma que não pode ver pessoa fardada que começa a chorar, o pai de outro que ficou cego de um olho por causa de um estilhaço de bomba...
Uma vez falei aqui sobre uma colega de classe do Afeganistão que me despertava ainda mais interesse.
Hoje, na hora do intervalo do almoço, tivemos a companhia de uma colega da Rússia. A conversa começou ingênua. com perguntas do tipo: Em que cidade você morava? Qual cidade é mais bonita Moscou ou São Petersburgo? Qual sua obra predileta de Dostoiévski?
Assim a conversa transcorreu até um determinado momento, mas logo falamos de Lenin e Stalin e até a recente operação militar russa na Geórgia foi um pulo.
Pronto...começamos a falar sobre politica e como os árabes são maioria no nosso grupo, lógico que discutimos a questão do oriente médio. Com nosso sueco módico, não falamos com muita profundidade.
Quando eu falei que tinha muito interesse em conversar e saber mais sobre a realidade, na visão deles, algumas histórias de vida começaram a aparecer. Tudo muito discreto, afinal olhos marejados, lágrimas e lembranças tristes faz com que tenhamos redobrado cuidado.
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