Post totalmente atrasado, quase um ano de atraso!! Ano passado, depois da separação, mas quando ainda estava na Suécia, fiz uma viagem com minha grande amiga-mãe chilena Valéria. Fomos para Riga na Letônia e foi ótimo para relaxar um pouco depois do terremoto que passou na minha vida. Fizemos um bate e volta de navio durante a Páscoa. Essa viagem, por milhares de motivos, entrou na minha história!!!
Riga realmente é uma cidade linda! Assim como Vilnius e Tallin, a cidade foi totalmente reconstruída na década de 90, mas sua essência medieval foi mantida.
Então mantida as devidas proporções de tamanho e afins, Riga até que tem bastante coisa legal pra fazer. Andar pela cidade é super fácil, o centro histórico e bem pequeno, e apesar de ter incontáveis mini ruelas charmosíssimas, a cidade é toda conectada de praça em praça através de suas ruas principais.
Riga tem como característica principal sua arquitetura em art noveau e as muitas praças com casinhas coloridas.
Então o melhor lugar pra começar qualquer roteiro pela cidade e na sua praça principal e simbolo da cidade, a praça da prefeitura.
Mas na verdade as estrelas da praça não é a prefeitura, e sim os dois prédios bem em frente, que são a antiga sede da associação dos comerciantes “cabeça negra” (Melngalvju Nams).
Originalmente construída em 1334, os comerciantes que ocupavam essa associação eram estrangeiros (apesar de terem permanecido na cidade por seculos, sempre foram considerados não-Letãos) e acredita-se que eram de origem Moura ou Arabe, que lhes rendeu o apelido de cabeça-negra, devido aos cabelos castanhos, que contrastavam com a população loiríssima dos Bálticos.
A praça inteira foi destruía por bombardeios aéreos na segunda gerra mundial em 1941 (ao mesmo tempo que as tropas de Hitler “convidaram” os tais comerciantes a se retirarem do país), e o pouco que sobrou foi demolido pelos Russos em 1948. O prédio que vemos hoje em dia foi inteiramente reconstruído baseado em fotos, pinturas e registros arquitetônicos em 1999, inclusive o relógio Astronômico, cujo original foi adicionado a fachada no seculo 16.
Mas a “paisagem” da praça não esta completa sem a torre da Igreja vizinha de São Pedro, que tem a torre mais alta da cidade (123 metros de altura).
A Igreja de São Pedro foi originalmente construída em 1209, e assim como todo o resto da cidade, destruída e reconstruída incontáveis vezes. Lá dentro é possível ver uma exposição de fotografias jornalísticas tiradas durante a primeira e segunda guerra, e é incrível ver como sua estrutura realmente foi aniquilada.
Outros partes da cidade que valem a pena serem visitados:
- Três Irmãos: Essas 3 casinhas vizinhas (números 17, 18 e 19 na rua Maza Pils) representam os estilos arquitetônicos que apareceram pela cidade ao longo dos seculos, inclusive a Gótica numero 17, que foi construída no seculo 15 e permanece em pé até hoje (uma das pouquíssimas estruturas que nunca foramdestruidas em algum ponto da historia milenar da Letônia) e é considerada a residência mais antiga do pais.
- A Casa do Gato: O Gato preto é simbolo de Riga e você vai ver estatuas, bonequinhos e souvenirs em todos os cantos da cidade.
Enquanto o mundo todo tem superstições negativas com gatos negros, Riga tem um historia bem legal, e pra eles o gato representa sua identidade nacional, igualdade e liberdade.
A história é mais ou menos assim: No final do seculo 19 a Letônia esta sob o domínio Alemão, e portanto comerciantes de origem Letônia não tinham os mesmos direitos nem acesso aos mesmo preços e taxas, mas um comerciante local queria fazer parte da associação de comerciantes da cidade, e tinha sido recusado pelos Alemães.
Então ele colocou uma estatua de gato preto no telhado de sua casa, com as costas arqueadas e o rabo levantado, de costas para a seda da associação, e rogou uma praga nos Alemães.

Depois de muitos protestos e uma batalha judicial, os comerciantes locais passaram a serem aceitos nas associações e o gato foi virado de frente para praça – então até hoje esse gato simboliza a luta da população em busca de igualdade e aceitação.
- Monumento da Liberdade: Construída apenas em 1935 o pilar de mármore representa a tão sonhada liberdade que a Letônia buscava há seculos. Ela represente os pilares da sociedade Letã: Trabalho, vida espiritual (e/ou religião), família e amor a pátria.
No alto da coluna tem uma estatua feminina segurando 3 estrelas, que representam as 3 regiões (ou estados) do pais: Kurzeme, Vidzeme e Latgale.

Mas nenhuma das atrações de Riga é assim imperdível, então resista a tentação de seguir um roteiro e se permita simplesmente perambular pelas praças e ruas escondidas da cidade.
Isso foi o que mais fizemos durante nosso passeio por lá, e foi sem dúvida alguma a parte que mais gostei da viagem!
Íamos passando de praça em praça até que de canto de olho você vê uma ruazinha fofa, com casinhas coloridas e cafés irresistiveis… O que você mais vai ter pra fazer por lá é matar tempo, então se entregue ao dolce fa niente da vida Letã e faça inúmeros pit stops pra tomar uma café, beber uma cidra de pêra… almoço, lanche da tarde, mais café, mais chá… e assim sucetivamente!
Riga é uma cidade bem barata para os padrões da Europa Ocidental. Então se você esta viajando com o orçamento apertado, aproveite pra tirar o pé da lama um pouquinho!
Escrevi esse texto logo depois que voltei de Riga:
"Quando
casei, passei a lua de mel em Buenos Aires. Foi ótimo...como todas
as luas de mel!!! Sempre compro uma peça de decoração nas minhas
viagem...uma maneira de decorar a casa com objetos que dizem a
história das minhas andanças. Na lua de mel não seria diferente.
Comprei um casal de tango..muito bonito. Era um casal diferente de
todos os outros. É meio obvio um comprar um casal dançando tango em
Buenos Aires, mas o meu era diferente. Comprei um casal para minha
mãe também, do mesmo artista, mas em posição diferente.
Minha
mãe faz coleção de bonecas e sempre que viajo traga uma boneca
para ela. Ela tem uma estante na sala cheia de bonecas das mais
variadas partes do Brasil e do mundo. Eu contribuo regularmente para
o crescimento da coleção dela. Mas, na minha lua de mel resolvi
variar um pouco e comprei um casal dançando.
Assim,
na minha lua de mel comprei dois casais. Um para mim e outro para
minha mãe.
Quando
cheguei e abri a mala, percebi que o meu casal havia quebrado. Fiquei
triste e minha mãe insistiu para eu ficar com o casal dela, afinal
ela queria que eu tivesse uma lembrança da minha lua de mel. Eu não
quis, disse que eu queria aquele casal que previamente tinha
escolhido para nós e que não ficaria com o dela. Argumentei que
seria mais um motivo para voltar em Buenos Aires e reviver aqueles
deliciosos dias!!! Além disso, tinha comprado outras coisas.
Voltei
de Buenos Aires e fui para a Europa, onde fixei residência. Nunca
nada meu quebrou em viagens e olha que sempre carreguei muita louça
nas minhas malas. Sempre que vinha ao Brasil levava presentes de
casamentos e em viagens para outras partes levava algum objeto de
decoração. Nunca quebrou nada, só o meu casal dançando tango que
quebrou.
Bem,
o tempo passou e seis meses depois uma amiga de minha mãe foi para
Buenos Aires. Minha mãe pediu que ela fosse a loja e comprasse um
casal dançando tango. Ela foi e comprou outro casal para mim na
mesma posição do antigo. O novo par era igualzinho ao antigo. Achei
muita coincidência ela trazer exatamente na mesma posição do que
tinha quebrado. Fiquei feliz!!!
Meu
novo casal foi para minha casa na Europa e lá ficou por algum tempo.
Em
dezembro do ano passado vim passar as festas de fim de ano no Brasil.
Curti muito a família e os antigos amigos até que em fevereiro meu
único irmão morreu. Muita tristeza!!!
Quinze
dias depois, meu marido que já estava na Europa me ligou e pediu a
separação. Meu coração foi em mil pedaços novamente. Nosso
casamento não estava bem, estávamos passando por nossa primeira
crise depois de quatro anos de casados. Eu entendo que ele tem
direito a querer separar, mas quinze dias depois da morte do meu
único irmão e pelo telefone...isso era demais para mim!!! Ou
melhor, eu pensava que era muito...mas não era...
Mesmo
com o pedido dele de separação voltei para minha casa na Europa,
afinal lá era minha casa e eu precisava resolver muita coisa antes
da decisão final. Eu, na minha doce ilusão, achava que conseguiria
fazer ele mudar de idéia. Que podíamos tentar uma reconciliação,
pois, para mim, separar na primeira crise era inconcebível.
Sai
do Brasil em pedaços...a pior viagem da minha vida. Ele foi me
buscar no aeroporto e me deu o abraço mais frio que recebi na vida
quando desembarquei. Voltamos para casa sem dizer uma palavra. Estava
frio e a tempestade de neve fez tudo parecer ainda mais triste.
Quando chegamos no nosso destino final, ele, não sei porque, me
convidou para jantar. Ele queria ir direto para o restaurante.
Preferi antes passar em casa, deixar minhas malas e dar uma olhada
naquela casa onde por muito tempo fui muito feliz. Seria só deixar
as malas, ir ao banheiro e sair novamente. Assim fizemos. Quando
cheguei em casa, ainda de sapato, fui até a sala e vi meu casal
dançando tango quebrado na cabeça e na base. Olhei e o meu marido
pediu desculpa por ter deixado cair e quebrar e disse a recuperação
seria algo fácil. Olhei mais uma vez e como se meus olhos não
pudessem acreditar disse para ele que tudo bem. Não seria necessário
colar nada, afinal o que aquele casal representava não existia
mais...tudo tinha acabado!!!!
Eu
ainda lutei com todas as minhas forças para uma reconciliação, mas
isso não foi possível. Passei os piores dias da minha vida. Triste
pela morte do meu único irmão e triste pelo fim do casamento.
Chorei
muito e sofri muito. Depois começaram meus preparativos para voltar
para o Brasil, afinal eu deveria voltar. Minha permanência ali não
se justificava mais, além disso meus pais estavam no Brasil
precisando de mim. Voltar para o Brasil e recomeçar era o mais
inteligente.
Antes
da minha volta queria fazer uma viagem com uma grande amiga mãe
chilena. Ela sempre me deu apoio. Era nela que eu buscava conforto.
Era ela que enxugava minhas lágrimas. E foi ela que me ensinou que:
"Caminante
no hay camino
se
hace camino al andar.
al
andar se hace camino,
y
al volver la vista atrás
se
ve la senda que nunca
se
ha de volver a pisar."
Escolhemos
fazer um cruzeiro para Riga, Letônia. Quando começamos a preparar a
viagem lembrei do casal dançando tango e decidi que iria jogá-lo no
mar. Seria uma cerimônia de sepultamento do meu casamento. Gosto
desses rituais e acho que são importantes, afinal "Quando
as palavras forem insuficientes, crie um ritual".
O meu ritual consistiria em enterrar meu casamento e o cemitério
seria o Mar Báltico. O
cemitério têm um importante papel no processo de luto. Muito mais
do que guardar mortos, o cemitério guarda as histórias vividas por
aquelas pessoas enterradas. É um lugar que, embora seja marcado pela
tristeza, guarda lembranças de momentos felizes. No meu caso, queria enterrar os momentos tristes. Seria como se eu estivesse fechando um
ciclo.
Um
dia antes da viagem, fui no jantar de Páscoa de parte da família do
meu marido. Foi a primeira vez que estávamos em um lugar não mais
como um par. Tirei a aliança para ir e na hora que o tio agradeceu a
presença de todos eu pedi a palavra e falei. Agradeci pelo apoio que
eles sempre me deram, pela ajuda e por me acolherem tão bem naquele
pais. Disse que quando arrumei minha mala para ir morar lá tentei
colocar só sentimentos bons e que na minha volta para o Brasil iria
colocar na mala somente as boas lembranças e os novos amigos. Disse
que eles sempre serão minha família e que jamais sairão do meu
coração. Agradeci pela oportunidade de conhecer uma nova cultura e
um outro idioma. Manifestei minha gratidão pelo pais que me acolheu
tão bem sempre. E, para finalizar, disse que aquele momento não
seria uma despedida, mas um até breve. Disse, também, que a casa
dos meus pais e a minha sempre estariam de portas abertas para eles.
Missão difícil. Lágrimas brotaram com facilidade dos meus olhos,
mas sai de lá com a sensação que sairia do pais da mesma maneira
que cheguei: de cabeça erguida.
No
dia seguinte embarquei para a Letônia com minha amiga. Foi uma
viagem perfeita!!! Naquela viagem meu sol começou a nascer. Sempre
digo que por mais escura que a noite seja, o sol sempre, querendo ou
não, volta a brilhar. O meu sol voltou a brilhar no mar Báltico!!!
Na
volta, fomos presenteadas com um por do sol espetacular. Jantamos
vendo a marca que o navio fazia no mar Báltico. Mar tranqüilo e por
do sol maravilhoso. Quando estava escuro, fui a minha cabine buscar
meu casal dançando tango. Fomos para a parte de fora do navio e com
um pouco de medo, joguei no mar. Uma sensação maravilhosa invadiu
minha alma e me senti leve.
Bebi
um whisky para relaxar ainda mais e dancei muito...feliz. Minha amiga
foi para a cabine, mas eu continuei ali dançando. Sozinha e feliz.
Nada mais importava. Fechava os olhos e deixava a música me levar.
Em
um determinado instante, começou a tocar uma musica brasileira. Foi
o ápice para mim: dancei e comemorei aquele momento. Comemorei minha
volta a minha terra natal..."



3 comentários:
Luciana, tb fui a Riga e amei. Fui no verão de 2010 qdo minha irmã estava aqui com o marido. Foi uma viagem maravilhosa...sol brilhante...calor gostoso...e andar naquelas ruelas em Riga foi reviver um pouco da história antiga daquele país. Pretendo voltar lá, com certeza ;)
Ah...e qto ao texto q vc escreveu dp q chegou de Riga, vc fez certo. Fechou um ciclo e mesmo sendo muito doloroso as vz é preciso ter/fazer o "enterro" p q vc, sua alma, seu espírito se liberte do passado e recomece uma nova vida...um novo ciclo :)
Bjs
O seu texto final me deu quase lágrimas, acho tão triste a separacão, o término de um casamento, familía é tão lindo!
O mais lindo de tudo foi a sua atitude amorosa com a familía dele, sem nenhuma mágoa, nenhum recentimento, apenas gratidão. Tenho certeza que você também estará no coracão daquelas pessoas. Espero que você ainda encontre um grande amor nessa nova etapa, alguém que retribua toda essa forca de vontade e de vida que você tem.
Um beijo sincero.
Lindo texto e com muita emoção envolvida.
Vc merece ser muito feliz e será.
Que Deus te abençoe e a seu filhinho. Mais um capítulo se inicia na sua vida e esse, com certeza, será um muito feliz.
Tudo de bom pra vc e sua família!
Bjs
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