sexta-feira, 29 de abril de 2011

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(Fernando Pessoa)
Meu único irmão adora declamar esse poema do Fernando Pessoa...escutei tantas vezes que até decorei!!!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sunrise in the Baltic Sea


Muitas coisas acontecendo...tristes e boas...
Estou passando por muitos problemas...nunca pensei passar por isso...uma tristeza enorme.
Pensei também que não fosse conseguir e que era demais para mim, mas não!!
Estou conseguindo vencer e hoje estou muito feliz!! Minha alma está em festa!!!
Por mais escura que a noite seja, o sol sempre volta a brilhar. O meu sol começou a nascer, lindo e maravilhoso como jamais havia visto...o mais lindo nascer do sol, no mar Baltico!!!

Foto: http://roderich.deviantart.com/art/Sunrise-on-the-Baltic-Sea-136667707?moodonly=69

sábado, 23 de abril de 2011

Travessia


Quarta-feira coloquei a seguinte mensagem de Fernando Pessoa no meu Facebook:

‎"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Minha mãe leu, gostou e mostrou para meu pai.
Na quinta-feira eles foram para Poços de Caldas. Quando eles chegaram no hotel havia uma mensagem de boas vindas na suite deles. Advinham qual citação tinha nessa mensagem??? Essa mesma que eu postei na quarta-feira.
Coencidência?? Ou mais um sinal??
Eu acredito que isso acontece porque estamos sempre em sintonia!!!

***

Nosso tempo de travessia é agora!!!
Minha ponte: foto tirada no fim de semana passado quando fui na casa de campo de uns amigos.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Feliz Páscoa!!
Glad Påsk!!


Bonequinha, mas custosa
Alice não recorda do fato, mas sempre alguém da família lembra. Uma vez, a família toda (Abelardo, Ingrid, Emmanuel e Alice) foi para a casa de Gérbera em Belo Horizonte na semana santa. Primeiro compras na capital mineira e depois comemoração da Páscoa na casa do Rocha no interior.
Alice adorava acompanhar a mãe e a tia Gérbera.
Ingrid sempre vestia Alice com roupas muito bonitinhas e a menina sempre chamava a atenção. Era uma verdadeira boneca. Hoje quando Ingrid reclama que Alice compra roupa demais. Alice diz com carinho: - As primeiras lições aprendi com a senhora!!
Dessa vez, não fora diferente. Alice vestia um conjunto de seda amarelo com bolinhas pretas, cinto e sapato tudo combinando. Alice desde muito nova adorava uma bolsa, mas nesse dia estava sem. Na noite anterior, Emmanuel, Alice e tia Ge foram lanchar na "Doce docê" no alto da Av. Afonso Pena. A "mocinha" ficou tão desapontada e triste com a perda da bolsa. Tia Gérbera até ligou para a lanchonete na tentativa de recuperar a "valiosa" bolsinha.
Assim, no dia seguinte a menina foi sem bolsa às compras. Foi sem bolsa, mas não esqueceu seu gênio "difícil". Fizeram várias compras. Cansadas foram na "Lanchonete Acaiaca", também na Av. Afonso Pena. Lá tomaram suco e comeram pães de queijo. Na saída, quando Ingrid foi pagar a conta, Alice viu um ovo de Páscoa e pediu para comprar. Ingrid negou, afinal o Coelhinho da Páscoa deixava seus ovinhos no ninho na casa do Rocha. Nessa hora, a menina deixou de ser a bonequinha e fez uma birra daquelas. Alice protagonizou o maior escândalo de sua vida. Ingrid, coitada, morta de vergonha, deixou a menina espernear a vontade. Só interveio quando Alice deitou no chão, afinal ai já era demais e Alice precisava começar a entender que a teimosia não adianta nada.
Até hoje, quando Ingrid lembra do caso, refere-se ao fato como o Show do Acaiaca.
E quando passa perto do local, sempre diz: - Olha seu palco, Alice!!!
Autora: Luciana

***

(Emmanuel: meu único irmão Alexandre, Gérbera: minha tia Con, Ingrid: minha amada mãe, Abelardo: meu querido pai, Alice: eu e Rocha: meu Julio querido)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A madrinha de adoração

"Emmanuel e Alice, logo perceberam o grande amor que Gérbera, a tia, nutria por eles!
Havia uma identificação total entre a tia e as duas adoráveis crianças. Era um amor incondicional, pleno e recíproco. Recíproco sim, Gérbera percebia esse sentimento através dos olhinhos deles, nas menores atitudes e no grande agarramento que eles tinham com ela. Com Gérbera, mesmo na ausência da mãe, eles se sentiam seguros. Isso a deixa radiante. E amor é assim é assim: quando mais você oferece, mais você recebe! Quanto mais você recebe, mais você oferece! É uma verdadeira "bola de neve". É gratificante para quem possui este tipo de amor...
Gérbera não media esforços para agradá-los. Procurava sempre estar presente em seus momentos especiais, testemunhando a alegria dos dois. Por sua vez, eles também sempre presentes na vida de Gérbera. Apesar de madrinha de Emmanuel, não fazia distinção entre o afilhado e a sobrinha querida.
Gérbera trabalhava em Belo Horizonte e eles no Estado do Rio. Encontravam-se com certa frequência na casa do Vô Rocha, no interior de Minas. Algumas vezes em Belo Horizonte, outras vezes no Rio. Gérbera morava em um apartamento alugado, mas os acolhia com todo aconchego.
Alice com seus três anos ouviu uma conversa de Abelardo e Ingrid. Eles iam comprar um apartamento para Dona Emerenciana, mãe de Abelardo, das crianças. A menina muito viva, ingenuamente disse ao pai: - Pai, compra um apartamento para a tia Ge também!!
Emmanuel é afilhado de batismo de Gérbera. Alice afilhada de batismo de dona Dilza, amiga de Ingrid, que muito a ajudou quando quase perdeu Alice, aos dois meses de gravidez. Dona Dilza é uma senhora muito bondosa, bem mais velha que Ingrid. Ingrid têm muitas amigas mais velhas que ela, talvez seja por ter perdido a mãe com apenas 17 anos. Busca nas amigas com idade mais avançada, a figura da mãe que partiu muito cedo. Dona Dilza gostava imensamente de Ingrid e Alice e fazia-lhes muitos mimos. Quando eles foram para o Estado do Rio, a distância os afastou um pouco.
Alice carente de madrinha sentia muita falta e ficava com ciúmes da madrinha de Emmanuel. A situação se agravava quando Emmanuel, percebendo sua fragilidade, começava a elogiar a sua madrinha, com a nítida intenção de aborrecê-la dizia: - Sua madrinha é muito velha!! A minha é bonita!! Ela ainda usa biquíni!!
O martírio da menina era aparente. A falta da madrinha lhe fazia mal...foi ai que Gérbera tornou-se madrinha de Alice também...Não foi madrinha de batismo, nem de consagração, nem de representação: foi madrinha de "adoração". Assim estava criada uma nova modalidade de madrinha. Madrinha de adoração!"
Autora: Maria Consuelo
Colaboradora: Luciana

(Emmanuel: meu único irmão Alexandre, Gérbera: minha tia Con, Ingrid: minha amada mãe, Abelardo: meu querido pai, Alice: eu)


***

As vezes, me pergunto: - Por que a nossa relação mudou tanto? Quanta coisa aconteceu...
Se eu pudesse faria com que tudo voltasse "ao normal". Que o amor fosse incondicional e pleno novamente, mas....

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Escolha Feliz


Uma vez eu tirei férias em Maio. Maio e Junho são meses que comemoramos várias datas importantes na minha família. Comemoramos o aniversário do meu único irmão, o meu, da minha mãe e do meu pai. Além de comemorarmos todos os aniversários, comemoramos também o Dia das Mães. Em 2006, eu fui para Arraial D'Ajuda - BA e tinha que escolher: ou passava o aniversário do meu único irmão junto da família ou o Dia das Mães. Eu escolhi comemorar o aniversário dele com ele. Não sei porque escolhi dessa forma. Hoje, me sinto aliviada e feliz com a minha escolha. Foi o último aniversário dele que passamos juntos. Deus obrigada por ter me ajudado na escolha!!!!

Foto: meu único irmão e eu - aniversário dele/05.05.2006

Foto: Arraial D´Ajuda - Maio/2006

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Uma vez irmã, sempre irmã!!!


Eu penso muito. Meus pensamentos são desconexos, alegres, tristes, otimistas, pessimistas...na verdade isso não importa muito. As vezes, eu penso algumas coisas interessantes e nunca escrevo, agora vou sempre escrever.

Quando fui para o Brasil em Dezembro escrevi no meu facebook e orkut: "Fui ali...ser filha e irmã".
Fui para o Brasil, fiquei lá por três meses, meu irmão partiu, voltei para a Suécia há quase um mês e a frase continua a mesma.
Quero mudar a frase, mas me falta coragem. As vezes, me sinto culpada por querer tirar a frase. E como se eu estivesse traindo meu irmão.
Mas hoje cheguei a conclusão: isso é muito simples. Eu posso tirar a frase, afinal eu sempre serei filha e irmã, independentemente do meu único irmão estar do lado de cá ou do lado de lá. Não importa, ele sempre será meu irmão.

Estou aqui...sou filha e irmã!!!!!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Entrevista


Antes de embarcar para a Suécia, eu comprei algumas revistas para me distrair durante o vôo. Acabou que eu nem li, afinal, como já disse aqui, tive um companheiro de viagem que me ajudou muito.
Esses dias li a revista Claudia e uma reportagem em especial me chamou a atenção: uma entrevista com Zibia Gasparetto (Ela é uma escritora espiritualista brasileira que se notabilizou como médium). Já li muita coisa dela, prefiro os mais antigos. Atualmente, acho que ela está muito comercial.

Aqui fica um pedacinho da entrevista que está martelando na minha cabeça:

"Qual é a sua missão aqui, dona Zibia?
Aprender e cuidar de mim. Essa é a missão mais importante para todos nós. Viemos para aprender a lidar com nossos desafios e a colocar nossa força para trabalhar a nosso serviço."

Foto: Capa de um dos meus livros pediletos dela.

terça-feira, 29 de março de 2011

Sinais?

Muitas coisas boas aconteceram depois da passagem do meu único irmão Alexandre. Muitos sonhos e sinais que mostram para mim que ele está bem e feliz. Este não é um post religioso, mas quero deixar claro que eu sou Espirita (leia-se: o espiritismo como codificado pelo francês Allan Kardec). Respeito todas as crenças e religiões, inclusive convivo com diferentes tipos e espero que também seja respeitada. Procuro, na medida do possível, tratar os outros como gostaria de ser tratada. Digo na medida do possível, porque sou humana e como todos os humanos, eu erro muito.

Coisas boas aconteceram e coisas ruins também. Estou passando por outras provações em outros aspectos da minha vida.
Entreguei minha vida a Deus no dia que voltei para a Suécia. Meus pais foram comigo até São Paulo, onde peguei o vôo de volta. Fomos um dia antes para fazermos tudo com calma, afinal seria uma viagem dificil para mim e para eles também. Na manhã do meu embarque, ainda no hotel, rezamos. Como no "Culto no Lar" que eles fazem todas as semanas, meu pai abriu ao acaso o Evangelho segundo a Doutrina Espirita, leu em voz alta e depois fizemos os nossos comentários. Nesse instante senti mais uma vez a presença de Deus e confiante Nele entreguei-O a minha vida.

A viagem foi tranquila. Meu companheiro de vôo era um médico que estava indo para um Congresso Internacional sobre Trombose. Como de costume falei que iria fazer caminhadas durante o vôo (hábito que adquiri depois de uma trombose que tive em 2008). E ai começamos a conversar sobre trombose e ele disse que podia ficar tranquila que por falta de socorro não iria morrer...rsrsrs...
Ele foi um anjo. Além de me explicar algumas coisas sobre trombose, na metade do vôo contei para ele a história da passagem do meu irmão. Ele, como todas as outras pessoas, ficou chocado quando contei o que aconteceu. Ele me deu os sentimentos e continuamos a conversar. Foi tão boa a conversa que perguntei algumas dúvidas e mostrei uma cópia do atestado de óbito do Alexandre. E ele me explicou várias duvidas que eu tinha. Enfim, mais uma vez conclui que fora a vontade de Deus e o procedimento do hospital e dos médicos estavam certos. A hora dele tinha chegado, cedo demais para mim, mas na hora de Deus.

Logo nos primeiros dias aqui tudo foi muito confuso por causa dos meus outros desafios. Mas semana passada me deu vontade de ler alguma coisa. Fui até minha estante e logo de cara peguei o livro "A Cabana" de William P. Young. Peguei o livro e logo me lembrei que tinha sido um presente do meu ùnico irmão quando fui ao Brasil em 2009/10. Lembrei também que já tinha começado a ler, mas parei logo nas primeiras páginas. Naquele momento o livro não me pareceu interessante ou não era a hora certa para lê-lo. Comecei a ler com o objetivo de ir até a última página custasse o que custasse e pensei que ali poderia encontrar algum sinal.

Na verdade eu sabia muito pouco do livro, mas logo nas primeiras páginas, ao contrário da primeira vez, o livro "A Cabana" me pareceu muito interessante. O livro aborda a história de Mack Allen Phillips, um homem que vive sob o peso da experiência de ter sua filha Missy, de seis anos, raptada durante um acampamento de fim de semana. A menina nunca foi encontrada, mas sinais de que ela teria sido assassinada são achados em uma cabana perdida nas montanhas.
Vivendo desde então sob a "A Grande Tristeza", Mack, quatro anos depois do episódio, recebe um misterioso bilhete supostamente escrito por Deus, convidando-o para uma visita a essa mesma cabana. Ali, Mack terá um encontro inusitado com Deus.

Dificil explicar os sentimentos que o livro me despertou. Várias vezes parei de ler, chorei, ri, senti a presença de Deus. Um dos momentos mais marcantes foi quando li a seguinte frase:
" Por isso seu nome é Emanuel, Deus conosco, ou Deus com vocês, para ser mais exata"
Essa frase me tocou em especial por causa do nome do meu único irmão ser Emanuel nos contos da minha tia, como pode-se ver no post anterior. Muitas perguntas surgiram, porque: o livro ter sido dado por ele, não ter conseguido ler antes, de ter sido o primeiro livro que peguei depois da passagem dele, do nome dele ser Emanuel nos contos da minha tia, comecei agora com a publicação dos contos????....
Não sei o porque....mas tenho certeza que não foi uma mera coencidência.
Ao lê-lo, muitas áreas e paradigmas foram remexidos dentro de mim. Fui confrontada com as minhas dúvidas e limitações. Fui confortada por compreender como todos temos o nosso processo individual de crescimento com Deus, numa perspectiva de relacionamento.
A meu ver, perante uma sociedade pós-cristã mas espiritualista, apresentar Deus como alguém que se quer relacionar connosco - onde quer que estejamos no nosso relacionamento com Ele - e de um modo tão simples de ser apreendido pelas pessoas que vivem aqui e agora, é um desperdício não ser lido de coração aberto...

"Cada relacionamento entre duas pessoas é absolutamente único. Por isso você não pode amar duas pessoas da mesma maneira. Simplesmente não é possível. Você ama cada pessoa de modo diferente por ela ser quem ela é e pela especificidade do que ela recebe de você. E quanto mais vocês se conhecem, mais ricas são as cores desse relacionamento."

“Há ocasiões em que optamos por acreditar em algo que normalmente seria considerado absolutamente irracional. Isso não significa que seja mesmo irracional, mas certamente não é racional. Talvez exista a supra-racionalidade: a razão além das definições normais dos fatos ou da lógica baseada em dados. Algo que só faz sentido se você puder ver uma imagem maior da realidade. Talvez seja aí que a fé se encaixe.”

terça-feira, 22 de março de 2011

Tácito Pacto


Como já disse aqui, minha tia, antigamente, escrevia contos narrando alguns episódios da família. Inclusive já postei um aqui: "Um Conto de Natal" . Sempre tive vontade que ela escrevesse mais e publicasse esses contos. Durante muito tempo pedi para ela me dar uma copia, ela sempre enrolava, dizia que ia procurar nas inúmeras caixas de papel da casa dela e nunca me dava. Dessa vez que fui ao Brasil pedi novamente, antes mesmo da passagem do meu irmão. E foi diferente, ela procurou e encontrou os contos, talvez ela procurou motivada pela passagem dele e na tentativa de resgatar mais essas memórias dele. Ela me deu autorização para publica-los aqui e fazer a revisão e a alteração em alguns pontos. Assim vou começar esse trabalho, motivada pela vontade de relembrar mais momentos do meu único irmão.

"Era um Sábado! Gérbera chegou voando de Varginha, onde fazia Letras, numa faculdade de finais de semana. Esbaforida, desceu da carona, ali mesmo perto do busto de Dona Ambrosina. Em dois passos, atravessou a larga avenida. Entrou na Santa Casa com o coração na mão, como se fosse tirar o pai da forca.
- Ingrata! Não me prometeste que não iria parir durante minha ausência? Disse Gérbera com a voz engasgada, mal olhando para a jovem mãe, já inclinada no bercinho da criança.
- Deus o abençoe, meu afilhadinho adorado! Alisava suas mãozinhas pequeninas, seu rostinho rosadinho e sua cabecinha, quase sem cabelos...
Admirava com profunda ternura o belo bebê que dormia serenamente com um tricozinho azul piscina, embrulhadinho num mantinho, também azul...
Naquele instante, foi travado um tácito pacto entre os dois:
- Seremos sempre amigos! Muito mais que madrinha e afilhado! Dali não saiu mais! Sempre ao lado dele, mesmo que muitas vezes a quilómetros de distância...
Agora, sim...
Voltou-se para a jovem e abençoada mãe, que sorria iluminada, diante de sua bela obra. Deu-lhe um beijo:
- Tiu! Não tenho palavras...
Ao lado da cama , orgulhoso, num sorriso de orelha a orelha, decretou Abelardo:
- É menino homem! Como eu queria!
Saíram da Santa Casa, direto para a casa do vô. A alegria era geral!
Na manhã seguinte, Ingrid, às seis da manhã, acorda Gérbera em seu quarto:
- Emmanuel está todo cagado! Vamos trocar a fraldinha?
Infelizmente o resguardo acabou e a família retornou para Perdões...
A casa ficou vazia, triste, todos reclamavam!
Sempre que podia, Gérbera estava lá para beijar e colocar-lhe a bênção... - Lindinho da dindinha!
Julho. Uma noite fria. Emmanuel chorava muito. Ingrid exausta não sabia mais o que fazer para acalentá-lo. Emmanuel estava com saudade da madrinha...
Gérbera tomou a criança nos braços, ninou-a um pouquinho, envolveu-a no seu peito amoroso. Emmanuel foi parando de chorar e logo já dormia profundamente.
- Vamos colocá-lo no berço? Propôs Ingrid satisfeita! Mas Emmanuel começou a chorar novamente...
Voltou para os braços de Gérbera...
Na manhã seguinte, Ingrid vem pegar Emmanuel que ainda dormia serenamente no tronco da madrinha enquanto ela dormia também, no sofá da sala. Ingrid pensou: - Que perigo! O menino poderia ter caído durante a noite!
Crescera sadio, conservando sempre sua alegria e simpatia natural... Sempre recebia com muito carinho a madrinha.
- Quer um cafezinho? Oferecia ele, segurando uma bandejinha de brinquedo de Alice, sua irmã que nasceu três anos depois daquele sábado que travaram o pacto de serem sempre amigos.
Outra vez, aquele toquinho de gente, com a bolsa de Gérbera pendurada no pescoço, gritava lindamente: - "Ói o cocoé coco!" - "Ói o cocoé coco!" Imitando os meninos que vendiam picolé em caixinhas de isopor.
Já maiorzinho, começou a intrigar as meninas... Quantas namoradinhas... Mas sonhava mesmo, era com uma moça especial: - Mãe! Quando eu tiver um pouco mais de idade vou a Londres! Quero conhecer uma bela °Inglaterrana" para ser sua nora!
Que maravilha! Agora Emmanuel no auge dos seus dezesseis anos, todo alinhado em um belo terno e gravata, dançando a primeira valsa da segunda formatura com sua madrinha querida! Quem já viveu uma alegria assim?
Hoje, formoso rapaz. Formou-se advogado. Inteligente, carteira da OAB, no primeiro exame! Elegante vai ao Fórum, como fora Abelardo. Na sua primeira audiência, elogiado, até pelos funcionários da casa...Porém nunca perdera sua simplicidade. Feliz por ter cumprido parte de seu juramento: o de defender os injustiçados!
- Graças a Deus! O pobre homem já está em casa desfrutando da companhia da mulher e dos filhos! Concluiu ele, agora com natural orgulho do moderno "rábula°, recém formado!
Agora imaginem só: virou chantagista da própria madrinha, aquela com quem firmara pacto de amizade em seu primeiro dia de vida!
- Gérbera! Vou me encontrar com aquele "primo" e revelar a ele sua admiração!
- Vou dizer-lhe que você adora passear na Fazenda com um "Eco Sport".
Apreensiva Gérbera pede: - Ô! Meu filho! Não faça isso, por favor!
Maroto ele sai sorrateiro, com aquele sorrisinho que só ele tem e pensando: - Eu nunca vou fazer isto com ela!"
Autora: Maria Consuelo
Colaboradora: Luciana

(Emmanuel: meu único irmão Alexandre, Gérbera: minha tia Con, Ingrid: minha amada mãe, Abelardo: meu querido pai, Alice: eu)



Acabo de escrever isto com a certeza que amo meu único irmão de uma forma ainda mais intensa. Sempre estaremos juntos, em sintonia. Mesmo enquanto eu estiver do lado de cá e ele do lado de lá. Os laços de amor sempre se fortalecem, independente da distância física.

terça-feira, 1 de março de 2011

Meu único irmão


A dor é muita, o coração está sangrando, falta um pedaço de mim!!! Na verdade, não sabia o que era a morte, apesar de já ter perdido avô, avó, tios, tias e amigos, só agora compreendi como é doloroso. Nada se compara com a dor da perda do meu irmão.

Nos primeiros dias eu achava que nunca mais seria feliz, que nunca mais vibraria com uma conquista com a mesma emoção de antes, que nunca mais teria vontade de escutar uma música ou nunca mais acharia algo bonito o suficiente para bater uma foto. Depois minha mãe conversou comigo e me explicou que essa dor vai passar e que eu conseguirei ter momentos felizes. E ela falou com conhecimento de causa, pois perdeu a mãe (no caso, minha avó) com apenas 17 anos de idade e nem por isso deixou de viver grandes momentos de alegria e plenitude.
Minha mãe estava certa, eu já consegui escutar música do ipod quando voltava da terapia (necessária para me dar forca para voltar para a Suécia). Eu também já conseguir fotografar uma orquídea linda que floresceu dias depois do sepultamento do Alexandre. O dia que aconteceu eu fui ao orquidário da minha mãe procurar uma flor para colocar na mão dele, mas não tinha nenhuma orquídea e eu acabei colocando uma rosa, também do jardim da minha mãe. Menos de uma semana depois, três orquídeas abriram e antes nem tinha botão nenhum!!!

Se Deus quiser, minha vida voltar ao normal com alegrias e grandes emoções, mas é claro que sempre vai faltar um pedaço de mim e a saudade sempre também será enorme.

Eu e o Alexandre tínhamos uma relação muito intensa. As vezes, tinha vontade de bater nele, afinal ele me enchia a paciência com muitas coisas e outras vezes, tinha vontade de colocá-lo no colo e dizer que eu resolveria tudo para ele. Ele era carinhoso, carente, ciumento, humilde, caridoso, amigo, bom filho, alegre, gostava de falar bobagem, tinha o apelido de feliz e magrelo (atualmente estava até bem gordinho), prestativo, mas também era chato, implicante, pessimista e desconfiado. Namorador e conquistador a moda antiga...muitas vezes mandou flores e bombons para as escolhidas dele. Fez muitas serenatas quando mais jovem...em uma dessas danificou o muro da casa da eleita e no dia seguinte mandou um saco de cimento para o pai da moca, afinal ele não gostava de dar prejuízo para ninguém...rsrsrsrs...

Não casou, acho que porque nunca encontrou uma mulher que tivesse os mesmos atributos e qualidades da nossa mãe que ele amava de maneira incomensurável e até doentia.
Sempre quis um filho, apesar de ser muito precavido nessa questão. Não teve filho, mas uma vez um dos meninos que ele encontrava em um bairro pobre para lanchar e conversar, perguntou se podia chamá-lo e considerá-lo como pai (o pedido foi feito no pé do ouvido em um dia de verão quando todos os meninos tomavam coca cola e sorvete juntos). Motivo de muita alegria do Alexandre que quando chegou em casa contou para a nossa mãe com lágrimas nos olhos.

Dizia que só iria na minha casa na Suécia quando eu estivesse gravida, só para passar a mão na minha barriga...infelizmente a minha dificuldade em ovular impossibilitou essa viagem...

São muitas histórias...e poderia ter tido outras se não fosse sua precoce e rápida partida. Ele foi para os braços do Pai com 37 anos, 9 meses e 1 dia...

Tudo aconteceu muito rápido. No dia 24 de Janeiro foi para Belo Horizonte fazer um curso. Nesse mesmo dia parou de fumar e beber cerveja. Na terça ligou reclamando dor de cabeça, quarta disse que parecia estar gripando, quinta ligou pedindo que nos fossemos ao encontro dele. No dia 28 (sexta-feira) foi para o Hospital Mader Dei para fazer um radiografia do pulmão, pois o médico suspeitava de uma pneumonia. Ficou internado até o dia 30 (domingo) em um apartamento e por causa da falta de ar, usou o balão de oxigénio. Nesse mesmo dia na hora do almoço teve uma dor no peito e para segurança foi encaminhado para o CTI do mesmo hospital. Quando voltamos lá as 20:00 para a visita, estava entubado e sedado. Assim ele ficou até o dia 06 de Fevereiro quando desencarnou. Durante essa semana a febre só foi aumentando (chegou a 43 graus) apesar de todos os remédios e medidas paliativas para baixar a febre. O rim parou de funcionar e o médico disse que precisaria fazer diálise. Esse procedimento não foi feito, ele partiu antes. No dia 06 de Fevereiro quando entrei no CTI vi a situação péssima, me lembro de poucas coisas...mas o número 57 ficou marcado...era a média da pressão dele. Dias antes um enfermeiro me explicou que eles prestavam a atenção na media, que não podia ficar abaixo de 60 e se isso acontecesse eles deveriam fazer de tudo para aumentar essa média, pois indicava uma situação critica. Quando cheguei e vi o número 57, entrei em pânico. Muito difícil esse momento até que as 22:00 o médico nos deu a noticia que nunca queria ter ouvido.
Doloroso escrever tudo isso, mas eu achei necessário, acho que faz parte do meu luto.
Sei que agora ele está bem...afinal ele está nos braços do Pai
Confio em Deus e concordo com Santo Agostinho quando ele diz: "A angústia de ter perdido, não supera a alegria de ter um dia possuído"

Desculpem o post longo...mas era necessário...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Alexandre

Alexandre, meu único e amado irmão.
Ele foi para os bracos do Pai.
A dor é indescritivel, meu coracão está sangrando.
Mas, se Deus quiser, com o tempo vai ficar só a saudade que sempre será enorme.


Alexandre,
Eu te amo muito, muito mesmo e na próxima vida eu quero vir novamente sua irmã de sangue. Difícil explicar e escrever tudo que eu sinto
Por você eu faco tudo...vc sabe, eu sempre te disse isso!!

"A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho.
O que eu era para vocês continuarei sendo.
Me dêem o nome que sempre me deram, falem comigo como vocês sempre falavam.
Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo
que nos fazia rir juntos. Pensem em mim. Rezem por mim.
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho." (Santo Agostinho)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Feliz 2011


O blog continua fechado, mas impossível não deixar um registro no inicio desse novo ano.
Feliz Ano Novo para nós!!!
Desejo saúde, paz, amor e suce$$o para todos!!! Meu único pedido especial, Ele sabe e na hora certa vai chegar!!!
Estou no Brasil, vim para comemorar o Natall e a passagem de ano com a família e os velhos amigos e devo ficar um tempinho maior por aqui...estava precisando.
Espero que quando voltar para a Suécia minha vontade de postar volte.

sábado, 6 de novembro de 2010

Fechado para balanço


Estou fechada.
Introspectiva.
Sem muito tempo para postagem,
período de balanço.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Release me


Who hold me down?? Myself.

domingo, 17 de outubro de 2010

Literatura Islandesa

Amanhã vou apresentar um trabalho sobre a literatura islandesa na aula de Sueco B. Ninguém merece!!! Estou treinando muito todas as complicadas palavras para não gaguejar. Se isso é chato em português, imagina então em sueco...dificil essa vida de imigrante!!!

Para quem nunca estudou literatura islandesa, assim como eu, aqui está uma pequena explicação:

Literatura da Islândia

A literatura da Islândia refere-se à literatura escrita em língua islandesa a partir do século IX, época da colonização da Islândia. É conhecida principalmente pelas Sagas, escritas em tempos medievais. Como o islandês e o norueguês antigo são quase a mesma coisa, a literatura islandesa medieval também é chamada de literatura nórdica antiga.

A literatura islandesa medieval é comumente dividida em três partes:
Poesia Eddaica
Poesia skaldica
Sagas

As Eddas
Página de um manuscrito da Edda em Prosa, mostrando Odin, Heimdallr, Sleipnir e outras figuras da mitologia Nórdica.
Há duas teorias para a etimologia da palavra “Edda”. Uns dizem que vem do termo norueguês antigo edda, que significa bisavó. Mas é mais provável que seja uma referência a Oddi, o lugar onde Snorri Sturluson (autor da Edda em prosa) viveu.
A Edda em verso (originalmente atribuída a Sæmundr fróði, teoria rejeitada pela maior parte dos estudiosos atuais) é uma coleção de antigos poemas e histórias nórdicas originadas no final do século X. Embora esses poemas e histórias venham da parte continental da Escandinávia, elas foram registradas por escrito pela primeira vez na Islândia do século XIII. O manuscrito original da Edda Poética é o Codex Regius, encontrado na Islândia meridional em 1643 por Brynjólfur Sveinsson, bispo de Skálholt.
A Edda em prosa foi escrita por Snorri Sturluson , e é a principal fonte do entendimento moderno sobre mitologia nórdica e sobre algumas características da poética islandesa medieval, já que contém muitas história mitológicas e várias kennings. Na verdade, o principal propósito de Snorri ao escrevê-la foi o de fazer um manual de poética para os skalds islandeses.

Poesia skaldica
A poesia skaldica (ou escáldica) difere da poesia Eddaica pelo fato de que a poesia skaldica era composta por notórios skalds, os poetas da Islândia medieval. Em vez de falar sobre eventos mitológicos ou contar histórias mitológicas, a poesia skaldica era cantada para honrar nobres e reis, comemorar ou satirizar eventos importantes ou recentes (uma batalha vencida por seu rei, um evento político da cidade etc.).
A poesia skaldica é escrita com um sistema métrico estrito, verso aliterativo e com muitas figuras de linguagem: a preferida delas eram as kennings, que deixavam o texto muitas vezes incompreensível para alguém que não as conhecesse, além de usar de muita “licensa artística” no que diz respeito à ordem das palavras e a sintaxe.

Sagas
As sagas são histórias em prosa escritas em nórdico antigo que falam sobre fatos históricos ou lendários do mundo escandínavo e germânico. Por exemplo: a migração para a Islândia, a descoberta de Vinland ou a história dos primeiros habitantes de Gotland etc.
Enquanto as Eddas são fantasiosas e contêm histórias mitológicas, as sagas são normalmente realistas e lidam com fatos reais. Apesar disso, existem sagas lendárias, sagas de santos e bispos e romances traduzidos; algumas vezes, também, algumas referências mitológicas são adicionadas e a história é feita mais fantástica e romântica do que realmente foi. As sagas são a principal fonte para o estudo da história da Escandinávia entre os séculos IX e XIII.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Feliz Dia das Crianças

Magia Infantil

Nas mãos das crianças o mundo vira um conto de fadas,

porque na inocência do sorriso infantil,

tudo é possível, menos a maldade.

Crianças são anjos,

são pedaços de Deus que caíram do céu para nos trazer a luz viva

que há de fazer ressuscitar a verdade que vive escondida em cada um.

De braços abertos a criança não cultiva inimigos,

sua tristeza é momentânea.

De olhos abertos a criança não enxerga o feio, o diferente,

apenas aceita o modo de ser de cada um que lhe dirige o caminho.

De ouvidos atentos a criança gosta de ouvir tudo

como se os sons se misturassem formando uma doce vitamina de vozes,

vozes que ela pode imitar, se inspirar para crescer.

Criança me lembra: cor, amor, arco-íris, rosas,

doce de brigadeiro,

tintas das cores: vermelha, laranja, azul, amarelo;

me lembra cachoeira, pássaros, dia de festa.

Ser criança é estar de bem com a vida,

é ter toda a energia do Universo em si.

Sejamos eternas crianças!!!


Feliz Dia das Crianças!!!